Erros de Português     

Português é complicado. Quantas vezes já fizemos ou já ouvimos esse comentário? Complicado ou não, o certo é que o nosso idioma é extremamente rico e, por isso mesmo, cheio de segredos e sutilezas.

O Prof. Sacconi, uma das maiores autoridades em língua portuguesa, tem um modo todo especial de transmitir os conhecimentos sobre o assunto, tornando o conceito de complicado inteiramente ultrapassado. Afinal, aprender a nossa língua já não significa, necessariamente, perder o bom-humor.

   ( Retirado do Livro 1000 erros de português  - Autor Prof. Luiz Antonio Sacconi )

 

 

Como devo abreviar hora ou horas?

Usando h, sem s nem ponto: 15h, 20h, 18h15min, 22h05min, etc., e não: 15:00,20 hs., 18:15 hrs., 22:05 h. Quem separa as horas dos minutos usando dois pontos são os ingleses. 

 

O primeiro dia do mês é primeiro ou posso dizer também um?  

O primeiro dia do mês é sempre primeiro. O caro lei­tor já imaginou alguém, no dia primeiro de abril, pregando uma mentira e saindo-se com esta: "Um de abril!" ? Que mentira mais sem graça!... 

 

O nome é Rubem ou Rubens?

Rubem é o nome rigorosamente correto, mas alguns pais acharam que seus filhos eram mais que um, eram realmente fantásticos. Então, puseram neles o nome Rubens. Note, entretanto, que temos Rubem Braga, Rubem Berta, Rubem Fonseca, todos corretos.

 

A palavra vestibulando é boa? 

É boa, porque já está consagrada essa aberração,que surgiu por analogia com doutorando e formando (palavras boas, pois vêm de verbos: doutorar e formar).

Vestibulando surgiu, assim, por analogia com essas boas formações. Daí passaram a usar também agronomando, economando, engenheirando, farmacolando, odontolando, professorando, etc., que são excrescências toleradas pela língua.

 

Posso dizer que valo muito?

Quem diz "valo muito" não vale coisa nenhuma. quem diz "valho muito" pode até valer. Espero que, de fato, valha.

Certa vez pegamos em flagrante uma garota per­guntando ao espelho nestes termos,depois de olhar-se de  alto a baixo, contemplando o seu belo corpo: "Será que  não valo nada?".  Valia ?

 

Palavra correta:.. enfarte ou infarto?

As duas, mas há leve preferência pela segunda. Os jornalistas brasileiros, porém, criaram uma terceira forma: infarte, que só colabora com que professores de português tenham infartos...

 

Alguém pode ter ameaça de infartar?

Não. Ameaça (no singular) somente há quando está associada a intimidação: ameaça de greve, ameaça de para­lisação, ameaça de golpe, etc. Se não for assim, o que há são ameaças ou ameaços: ameaças de infarto, ameaços de enfarte, etc.

 

Posso pedir o mais absoluto silêncio?

Não; porque aí há redundância. Em absoluto já existe a idéia de maior, o mais. Por isso, prefira pedir absoluto silêncio, que o silêncio se fará.

Eis outras expressões redundantes: emulsão de óleo, novidade inédita, plebiscito popular, manter o mesmo time, problema individual de cada um. Tudo isso é coisa de demente mental. . .

 

Existe raio X?

Não. O que o mundo conhece é outra coisa: raios X. Há, todavia, muito médico por este Brasil afora que afixa uma enorme placa à frente do consultório: RAIO X. São confiáveis?

 

Os brasileiros querem explorar a Antártida. Vai dar certo?

Se depender da língua, vai dar errado. Convém que eles mudem o rumo e se dirijam à Antártica, que é região existente no planeta. Ir à Antártida é fria...

 

Podemos dizer que a Nicarágua tem uma  presidenta?

Sem dúvida. Existem quatro nomes que podem va­riar ou não, em gênero:presidente, governante, hóspede e pa­rente. Sendo assim, tanto faz usarmos a presidente quanto a presidenta; a governante quanto a governanta; a hóspede quan­to a hóspeda;a parente quanto a parenta.

 

Dou marcha-ré ou marcha à ré?

Dê sempre marcha à ré. Anote mais estas ortografias: alto-falante, alto mar (sem hifem), disco-voador (com hifem), ano-novo (e não: Ano Novo), ano-bom (e não: Ano Bom), papel-almaço, papel-carbono, aeroclube (e não: Aero Clube).

 

Mulher, quando agradece, diz obrigado?

Não. Mulher, quando agradece, deve dizer obrigada, embora muitas digam apenas brigado, cometendo dois erros de uma só vez. É muita economia.

A pessoa a quem se agradece deve responder por nada, e não de nada. Alguns se limitam a responder nada.

Muitos, ainda, em vez de por nada, respondem: obrigado(a) você, que não significa absolutamente coisa nenhuma. Não quer dizer por nada?

 Diga,então,obrigado(a),digo eu. A língua e o bom-senso agradecem...

 

Uso televisar ou televisionar?

Use televisionar, que é a melhor forma, apesar da observação de alguns dicionários. Use, ainda: televisionamento, televisionado, que são formas melhores que televisamento, televisado.

Quem usa televisar, que use também questar, sançar, impulsar, em vez de questionar, sancionar, impulsionar!

 

Existe a imprensa falada, escrita e televisionada?

Não. O que existe são as imprensas falada, escrita e televisionada: o substantivo deve estar no plural, pois se refere a vários adjetivos. Outros exemplos: as administrações direta e indireta (e não: a administra­ção direta e indireta); os setores público e privado (e não: o setor público e privado); as polícias civil e militar (e não: a polícia civil e militar); pagamento em médio e longo prazos (e não: paga­mento em médio e longo prazo).  

 

Posso ficar de bruço?

Não, prefira ficar sempre de bruços, que não terá cãi­bras... Também não fique de cocre; fique só de cócoras.

 

Cãimbra ou  câimbra?

Tanto faz. Anote mais estas formas variantes: pendu­rar e dependurar, entoação e entonação, lambuzar e enlambuzar, hidroelétrica e hidrelétrica, hidroavião e hidravião, heml e heinl, hemorróidas e hemorróides (sempre com s final), samambaia e sambambaia, geringonça e gerigonça, empanturrar e empaturrar.

Afinal, escrevo  alibi ou álibi?

Escreva sempre álibi. Alguns dizem, em tom profes­soral: "Latinismos não têm acento gráfico". pergunte­mos-lhes, então: "E grátis? E mapa-múndi? E  álbum? E cútis?".  Todos são latinismos.

 

Posso dizer que expludo de alegria quando estou em Salvador?

Não: a forma expludo não existe. Quanto ao verbo explodir e demais defectivos, também não existe exploda, como se ouve muito: "Quero que ela exploda" . A língua, assim, explode antes...

 

É verdade que o alface está caro?

Não sei, mas a alface está caríssima! Nunca vi uma al­face tão cara quanto a brasileira.  

Confesso não conhecer nenhuma verdura digestível que" atenda" pelo nome de o alface...

 

É verdade que a inflação foi só de 1.2 %?

Não: a inflação pode ter sido de 1,2%. Há, contu­do, os que dizem: "A inflação foi de um ponto dois por cento". Isto é: mentem duas vezes...

Quem não é chegado a mentiras, diz melhor: "A inflação foi de oitenta e um vírgula dois por cento", pois não se usa ponto por vírgula.

 

Qual o nome correto: Hortência ou Hortênsia?          

Hortênsia, escreva sempre com s. Anote mais estes nomes: Persival, Moji, Queirós, Hiroxima, Nagasáqui.

 

Devo perguntar: que horas chegaremos? ou a que horas chegaremos?

Pergunte, sempre com o a antes do que: A que horas chegaremos? (E não: Que horas chegaremos? A que horas começa o programa? (E não: Que horas começa o programa?)  Também não pergunte: "Que horas tem aí?". Va­lha-se da pergunta antiga, que ainda é a melhor: "Que horas são?".

 

Eu se perdi inteiramente.

Eu combinando com se!? Onde? Em que língua?

Eu combina com me, assim como nós combina com nos:

Eu me perdi inteiramente.

Nós nos perdemos inteiramente. (E não: Nós se perdemos inteiramente.)

Dia desses, ouvimos de um político: "Nós se preocupamos muito com o futuro do Brasil". Estamos vendo...

Pela televisão, declara uma futura mãe: "Se um dia eu tivesse um filho guei ou uma filha sapatão, eu se matava". E agora?

Meu filho é de menor?

Não. Seu filho é menor, ou seja, é menor de idade. 

O meu, todavia, é maior, maior de idade. Quem diz "de menor", "de maior", não fala como gente grande. Nem como gente que entende.

 

Devo comprar carro à álcool?

Não, compre carro a álcool: antes de palavra masculina não use à. Pode comprar carro à gasolina: antes de palavra feminina, numa locução, usamos à. Hoje, todavia, há pessoas que, em vez de comprarem carro a álcool ou carro à gasolina, estão preferindo andar a pé e até a cavalo...

 

Existe febre alta?

Nem baixa. A temperatura do corpo é que fica alta ou baixa; a febre é intensa, amena, etc. Ninguém tem, ainda, muita ou pouca febre. Febre não se mede; ignorância, talvez...

 

Compro tudo a vista ou à vista?

Compre tudo à vista, e não à prestação. Como afirmamos, antes de palavra feminina, numa locução iniciada por a, usamos o acento. Por isso é que devemos lavar roupa à mão, ouvir rádio à pilha, escrever à máquina, fechar o portão à chave e, também, matar alguém à bala, praticar atentado à bomba, atirar à queima-roupa. Repetimos: todo a que inicia locução com palavra feminina deve ser acentuado. A  única exceção fica por conta de a distância, quando a distância não for determinada. Ex.: Os policiais ficaram observando a manifestação a distância. Havendo determinação, o acento aparece: Os policiais ficaram observando a manifestação à distância de cem metros.

 

Ignorância é assim fácil de medir?

Ignorância, muitas vezes, é muito fácil de medir...

Após fácil de, difícil de, duro de, gostoso de, bom de, ruim de, não se usa se. Por isso é que existe remédio duro de tomar, automóvel gostoso de dirigir e sogra difícil de agüentar...

 

Aids é o quê, afinal?

É uma sigla inglesa. Os portugueses e os povos de língua espanhola, os quais nós, brasileiros, deveríamos seguir, não dizem aids, mas sida, já que se trata de síndrome da imunodeficiência adquirida. Note: sempre com inicial minúscula; os jornalistas brasileiros, além de usarem uma sigla alienígena, ainda escrevem com inicial maiúscula. Por que não escrevem também Diabetes, Câncer, Tuberculose, Diverticulite? Ora, inicial maiúscula em nome de doença ou síndrome...

 

Diz-se que os anos sessenta foram ótimos!

Melhores foram os anos sessentas. Muito melhores que os anos setentas (que tiveram a crise do petróleo), muito melhores que os anos oitentas (que tiveram Sarney) e - com certeza - muito melhores que os anos noventas.

Nesse caso, quem usa o singular comete erro de concordância, semelhante a nós foi e a eu pôs. Os jornalistas brasileiros escrevem e dizem como?

 

Toco acordeom ou acordeão?

A questão aqui é apenas saber tocar. Sabendo tocar, a língua nos oferece opção de uso: acordeão ou acordeom, esta sempre com m final, e não com n, a exemplo de batom, cupom, garçom, guidom, jetom, marrom, moletom, pistom, etc.

 

Quer dizer que Leblom também se escreve com m  final?

Não só Leblom, mas Calmom, Saigom, Ramom, Simom, Trianom; enfim, todas as palavras oxítonas terminadas com tal som devem ser grafadas com m final, e não com n.

 

O nome correto é Andrea ou Andréia?

Andréia é a forma portuguesa; Andrea é a forma italiana. O caro leitor escolhe qual?

Eis mais cinco nomes corretos: Dorotéia, Dulcinéia, Enéias, Léia e Vanderléia.

 

É bom morar em casa germinada ?

É perigoso à beça!... Em casa germinada deve haver germes em todo canto... Prefira morar em outro tipo de casa, bem mais saudável: na geminada. É esta que vem de gêmea, e não aquela, que vem de germe. O povo, todavia, criou a casa germinada e acredita piamente que mora nela...

 

Menas é bom?

Menas é péssimo! Nossa língua só possui menos: menos complicações, menos gente, menos casas, menos despesas, etc.

Um ex-candidato à Presidência da República, todavia, vive com o menas na boca e, certamente, dorme com ela. Certa vez, durante a campanha, disse: "O que o Brasil precisa é de menas safadeza, menas incompetência e menas maracutaia". O que mais ardentemente queremos é menos tudo isso aí...

 

Posso namorar com?

Não, prefira apenas namorar: é mais saudável e não compromete a língua. Por isso: Nunca   namorei essa garota. (E não: Nunca namorei com essa garota.)  Você quer me namorar? (E não: Você quer namorar comigo?)

 

Hoje, muita gente diz " a gente fomos", " a gente temos ". É correto isso?

Na Idade da Pedra, poderia até ser. Hoje, não: a gente pede verbo na terceira pessoa do singular, obrigatoriamente (a gente foi, a gente tem, a gente viu, a gente irá, etc.). Quem usa "a gente fomos, a gente temos, a gente vimos, a gente iremos", revela possuir pouca escolaridade.

Convém dizer, por outro lado, que não há nenhuma impropriedade no uso de a gente em substituição a nós ou ainda a eu. Ex.:

A gente foi lá e não encontrou ninguém.

A gente vai votar outra vez.

 

Nasci a 18 de dezembro ou em 18 de dezembro?

Tanto faz: usa-se a ou em antes de datas. Use, ainda, indiferentemente:

                     Domingo viajaremos. (Ou: No domingo viajaremos.)

                     Semana que vem voltaremos. (Ou: Na semana que vem voltaremos. )

                     Mês passado choveu muito. (Ou: No mês passado choveu muito.)

                     Ano passado geou. (Ou: No ano passado geou.)

 

Um apaixonado pode declarar-se desta forma: " Eu te amo você"?

Só os pseudo-apaixonados fazem esse tipo de declaração; os verdadeiros dizem ao ser amado: "Eu te amo". Ou, então: "Eu amo você". Te não se mistura com você. Por isso, jamais diga "Vou te contar pra você", nem mesmo para os seus amigos mais íntimos: eles não lhe perdoarão. . .

 

"Vem pra Caixa você também" é um bom convite

É um convite no mínimo deselegante, já que não leva em conta uma norma elementar da nossa língua: não pode haver mistura de tratamento, ou seja, te ou tu não se mistura com você (a segunda pessoa não combina com a terceira). Quem tem um mínimo de bom-senso, de respeito, convida assim: Venha pra Caixa você também. Ou, então, assim: Vem pra Caixa tu também. Porque venha é da terceira pessoa, assim como você; vem é da segunda pessoa, assim como tu. Pronto: houve uniformidade de tratamento, a língua não foi agredida.

Um órgão federal como a Caixa Econômica deveria cuidar um pouco mais do nosso patrimônio cultural, o idioma, divulgando ao público uma frase mais respeitosa, mais digna. Esperávamos que, com a mudança de diretoria da Caixa, houvesse mais seriedade no órgão, com a eliminação do erro. Não houve. Seu presidente, aliás, recentemente, cometeu a agravante de dirigir carta ao presidente da República, nestes termos: "Vem pra Caixa o senhor também". O Brasil Novo, como se vê, não é tão jovem assim...  

Os criadores da lamentável frase ''Vem pra Caixa você também" argumentam simploriamente que vem é mais eufônico que venha. Ora, se a nossa língua fosse guiar-se apenas e tão somente pela eufonia para estabelecer as suas normas, certamente não agasalharia os verbos abundar e disputar. Essa gente não sabe nem mesmo o que diz; imagine, então, se sabe o que cria.
 
 
O analfabetismo é um agravante ou uma agravante?
 
O analfabetismo, assim como a falta de respeito e de bom-senso, será sempre uma agravante na formação de qualquer personalidade. A exemplo de atenuante, a palavra agravante é feminina.
 
 
 
Com palavras no plural uso a ser  ou a serem, a não ser ou a não serem?
 
Tanto faz:

Ele não via virtudes em ninguém, a não ser as suas. (Ou: a não serem as suas.)

As crianças a ser matriculadas chegam a cem. (Ou:As crianças a serem matriculadas chegam a cem.)

 

 
Existe acordo amigável?
 
Assim como existe hepatite do fígado e pomar de frutas... Neste mundo que Deus criou, não pode haver acordo que não seja amigável. Ou o caro leitor já viu algum acordo litigioso? Não obstante a evidente redundância aí existente, não faltam advogados (os despreparados, evidentemente) que insistem em propor um acordo amigável à parte contrária, muitas vezes diante de egrégios e competentes magistrados (que não têm culpa ).

Os verdadeiros advogados buscam apenas um acordo com a parte contrária; os juízes simplesmente homologam um acordo.

 

O Brasil é um país  que ia pra  frente ou prá frente?

Não acentue a redução de para a (pra) nem a redução de para o (pro). Assim, devemos escrever (injusta e mentirosamente) :

O Brasil é um país que ia pra frente. Agora, o Brasil é um país que vai pro buraco.

 

O preço pode ser caro ou barato?

Não, o preço pode ser alto ou baixo; os produtos é que são caros ou baratos. Assim, temos:

             O preço da gasolina está alto demais. A gasolina é cara demais.

O preço deste livro é baixo demais. O livro é barato demais.

             E viva o preço alto!...

 

É correto usar "Não deu para chegar mais cedo"?

Não na língua culta, que prefere esta construção: "Não foi possível chegar mais cedo". Na língua popular, todavia, usa-se o verbo dar com impessoal:

           Não dá para fazer isso sozinho. (= Não é possível fazer isso sozinho.)

          Dava para vocês me qiudarem? (= Era possível vocês me ajudarem?)

         Não obstante isso, muita gente continuará afirmando admirada, e com muita   convicção: "Presidente, assim não dá!"...

 

Devo encarpetar meu apartamento?

Não procure sarna: acarpete o seu apartamento e livre-se do desconforto. Não existe o verbo encarpetar; use acarpetar ou, então, carpetar.

  1.  
Por falar em apartamento, como abrevio  essa palavra?

Abrevie apartamento assim: ap. ou apart., mas nunca apto., como faz quase todo o mundo.

 

Devo escrever icerberg ou aicebergue?

Num texto em inglês, escreva iceberg; num texto  em português, use aicebergue. O caro leitor está acostuma­do a escrever em que língua?

Eis mais cinco aportuguesamentos: langerri, laicra, náilon,  náicron e limusine, que correspondem às formas estrangeiras lingerie, lycra, nylon,  nycron e limousine.

 

Torço para o Coríntians?

 Não. Prefira torcer pelo Corinthians: o verbo torcer pede por, e não para; Corinthians se escreve com th e sem acento, apesar dos jornalistas (palmeirenses, por certo), que escrevem Coríntians, corrompendo o nome do clube. O adjetivo se escreve sem h (corintiano).

 

O Corinthians possui camisas alvinegras ou  alvi-negras?

O Corinthians possui camisas alvinegras, assim como o Palmeiras tem camisas alviverdes, e o Juventus, camisas alvirrubras. Tudo sem hifem, a exemplo de audiovisual, radioamador, radiouvinte, radiopatrulha e radiovitrola.

 

Posso dizer que estou quites com o serviço militar?

Não. Quites é do plural; por isso, diga: "Estou quite com o serviço militar", "Nós estamos quites com o serviço militar"

 

Posso tomar água saloba?

Essa água mata! Principalmente e primeiro a língua. Prefira tomar água salobra: é mais saudável.  Por falar em água, use indiferentemente água fervente ou água fervendo, mas só pluralize a primeira: águas ferventes.

 

Devo escrever hífen ou hifem?

Como quiser: as duas formas são corretas, com ligeira preferência, até, pela segunda.

 

Ante ao exposto, chego a uma conclusão: não vou mais escovar os dentes.   

Não chegue a tanto: use só ante o exposto, já que an­te (preposição) pede artigo (ante o exposto, ante a deci­são, ante o resultado, ante a promulgação, etc.).

Muitos advogados (os despreparados, evidentemen­te) escrevem ante ao exposto. Os verdadeiros advogados, todavia, escrevem sem machucar a língua nem ofender a cultura do magistrado: ante o exposto.

 

Quem  torce pelo Palmeiras pode, também, ser chamado de palmeirista?

Não. Quem torce pelo Palmeiras, além de ser um eterno esperançoso, é apenas palmeirense. Quem se diz palmeirista, que tome cuidado com os corintianos: eles podem ter aí mais um motivo para gozações!

 

Aluga-se apartamentos: correto?

Errado. Esse tipo de verbo vai ao plural, quando o elemento seguinte está no plural. Por isso:

                Alugam-se apartamentos. Oferecem-se vantagens.

                Vendem-se casas. Compram-se terrenos.

                Dão-se aulas particulares de português.

Muitos anunciam assim nos jornais: "Dá-se aulas particulares de português". Dão?

 

Precisam-se de datilógrafos: correto

Errado. Se há uma preposição entre o verbo e o elemento no plural, o verbo fica no

singular. Por isso:

            Precisa-se de datilógrafos.

            Acabou-se com as brigas.

            Chegaram os turistas. Trata-se de poloneses.

Atenção: não use polacos por poloneses, que o termo lhes soa pejorativamente.

 

José Joaquim  da Silva Xavier era conhecido pelo alcunha de Tiradentes?

Não. José Joaquim da Silva Xavier era conhecido pela alcunha de Tiradentes: alcunha é palavra feminina (a alcunha, uma alcunha).Eis mais cinco nomes femininos: bacanal, entorse, ênfase, dinamite e mídia

 

Sarney criou a expressão brasileiras e brasileiros. É boa?

Essa é muito boa!... Boa piada! É a expressão mais simplória criada em nossa língua, nos últimos quinhentos anos. Talvez supere a que o povo inventou: cuspido e escarrado, para substituir a legítima esculpido e encarnado.

Bastar-Ihe-ia começar os aborrecidos e inócuos discursos com brasileiros, em que já estão compreendidos homens e mulheres. Justificaria, assim, o título de acadêmico.

Quando se diz que o Brasil é dos brasileiros, alguém tem a intenção de afirmar que o nosso país é só dos homens? Seria necessário dizer que o Brasil é dos brasileiros e das brasileiras?

Pobres anos oitentas, que terminaram tão melancolicamnete!

 

 Quem toma muito aguardente fica o quê?

Fica principalmente deselegante. Quem sabe beber, pode até tomar muita aguardente, nem por isso ficará bêbado a ponto de dizer que tomou muito aguardente, que é palavra feminina: a aguardente, uma aguardente, boa aguardente.

 

Cuspido e escarrado?

O povo, quando vê uma pessoa muito parecida com outra, diz: "Nossa, como esse rapaz    é parecido com o pai! Ele é o pai, cuspido e escarrado". Na verdade, deveria dizer: "Ele é o pai, esculpido e encarnado". Como o povo não é muito dado a esculpir nem a encarnar, substituiu as palavras por outras que lhe são mais próprias. Recentemente, ouvimos uma pessoa dizer: "Vige, essa menina saiu à mãe, cuspidinha e escarradinha!" .

Consagrada ou não, convém saber que, num banquete, por exemplo, é de bom-senso utilizar a outra.

 

Seria pior se o povo usasse guspido, em vez de cuspido, não seria?

Aí seria o máximo da indelicadeza e da deselegância. Cuspir, cusparada, cuspida, cuspo, são as palavras corretas, ainda que muitos digam guspir, gusparada, guspida, guspo.

Aliás, o povo também usa gabina, degote, degotar, degotado, quando a língua nos recomenda apenas cabina, decote, decotar, decotado.

 

Existem luzes de neon?

Não. Existem, sim, luzes de néon ou de neônio. O povo, contudo, gosta muito das luzes de neom (que não iluminam)... O pior é que escrevem ainda neon.

 

Alguém já disse, certa vez: fi-lo porque qui-lo. Acertou?

Como sempre, errou. Quem realmente conhece nossa língua diz (ou deveria ter dito): Fi-lo porque o quis, já que a palavra porque exige o pronome oblíquo antes do verbo. Como certas pessoas, porém, têm o diabólico dom de só cometer asneiras, essa frase (que ele jura não ter proferido) ficará na história (com h minúsculo) como mais uma das suas.

Há pessoas que passam a vida inteira pensando que conhecem a nossa língua. Pensar é bom, não machuca. Mas quem diz senhôra, em vez de senhóra; mâs, em vez de más; falámos, tratámos, conversámos, em vez de falâmos, tratâmos, conversâmos, teria o direito de pensar assim, sem ao menos sentir-se um pouco culpado?

 

Preciso de uma boa gramática para mim saber mais sobre a nossa língua.

Mim não sabe nunca, nem vai saber nunca! Mim, antes de verbo, quem usa é índio. Índio é que diz a toda a hora: "Mim gostar de pipoca! Mim querer pipoca! Mim dar tudo por uma pipoca!" . ..

Os civilizados usamos eu:

Preciso de uma boa gramática para eu saber mais sobre a nossa língua.

             Isso é para eu ler. (E não.: Isso. é para mim ler.)

Deixaram tudo. para eu fazer. (E não.: Deixaram tu­do. para mim fazer.) Não

 havendo verbo, use mim: Isso. é para mim,  Deixaram tudo. para mim.

            

Qual a diferença entre história e História?

A história é a ciência que cuida dos fatos ocorridos ao longo do tempo, documentando-os; História, com H, é nome de disciplina, assim como Matemática, Portugues, Inglês, Desenho, Geografia, etc.

Há muita gente que assiste a aulas de Português, mas não aprende português.

 

E a palavra estória? Existe ou não?

Apesar da caturrice de alguns, existe. Estória é conto infantil, ficção; conversa fiada, lorota, baleIa.

Um professor, na sala de aula, conta a história do Brasil a seus alunos. Um ladrãozinho qualquer, para safar-se da prisão ou da condenação, conta mil estórias ao juiz, que muitas vezes as toma por histórias e o absolve.

Afirmar que um vagabundo qualquer conta histórias ao juiz é mentir descaradamente e subtrair à palavra a nobreza de significado que ela tem.

 

Devo andar a cem quilômetros por hora?

No máximo! Sempre sem o acento no a, antes de numeral: a cem quilômetros, a mil metros, etc. Só use o acento quando se tratar de horas: chegamos à uma hora, e não às duas horas.

 

Pronuncio istória ou estória?

Pronuncie istória; o e, em sílaba átona, soa geralmente i. Note: escrevemos "marceneiro", mas pronunciamos' 'marcineiro' '; escrevemos" mexerica", mas pronunciamos "mixirica"; escrevemos" empecilho' " mas dizemos' 'impecilho' " etc. Por isso, escreva" estória' , mas diga "istória".
 
 

Entro de férias ou em férias?

Como quiser, assim como pode ficar de pé ou em pé. Mas só entre em greve, ainda que muitos prefiram entrar de greve, o que é absolutamente ilegaL.

Não use de pé por a pé, como se faz no Nordeste, onde se ouve comumente: "Não vou de carro não, vou de pé mesmo". Vá a pé. Ainda que seja ao inferno, vá a pé...

 

De noite ou à noite?

Tanto faz, desde que você vá a pé... Pode ir também, indiferentemente, de tarde ou à tarde. Se preferir, vá de manhã ou pela manhã.

 

Entro de sócio no palmeiras?

Não. É na língua italiana que se diz "de sócio, de goleiro". Prefira entrar como sócio e jogar como goleiro, ainda que seja no Palmeiras, clube fundado por italianos.

Repetir de ano, assim como passar de ano, também é próprio de italianos. Aluno brasileiro relapso repete o ano; os bons passam o ano.

 

Posto que equivale a "porque" ?

Só os maus advogados usam posto que como equivalente de porque; os bons empregam posto que apenas por embora : O réu foi absolvido, posto que contra ele houvesse inúmeras provas. (E não, como fazem os advogados despreparados: O réu foi absolvido, posto que não havia provas contra ele.)

 

Existe primeiroanista de Direito?

Existe apenas primeiranista, assim como segundanista, terceiranista, quartanista, quintanista, sextanista, ultimanista.
 
Há, todavia, muito ultimanista de Direito que ainda age, fala e escreve como se fosse primeiranista..

 

Posso  tomar um chopes?

Não, que lhe vai fazer muito mal! Prefira tomar um chope. Sempre um chope. Se preferir tome dois chopes, três chopes, quatro chopes, etc. Repare, ainda, que devemos escrever chope, chopes( e não  chopp, chopps).
 
Por isso, se alguém, algum dia, convidá-lo para tomar um chopes, caro leitor, seja irônico, respondendo (cavalheirescamente) : "Obrigado prefiro comer um pastéis".

 

É mesmo asneira usar um antes de mil?

Das grossas! Quem usa um (ou hum, o que é bem pior) antes de mil, não sabe a grossa asneira que está cometendo: um é singular; mil é plural. Assim, quem usa um mil ou uma mil está misturando as estações; ou seja, está cometendo a mesma asneira de quem toma um chopes. Pessoas sadias, como já vimos, preferem tomar um chope, que este não sobe...
 
Por isso, nem mesmo em cheques use um mil ou hum mil, a pretexto de evitar fraude. Podemos evitar fraude num cheque, sem corromper a língua.

 

De fato, o Brasil foi descoberto em mil e qüinhhentos,e não em um mil e qüinhentos.

Se alguém disser que o Brasil foi descoberto em um mil e quinhentos, esteja certo: será de quem já tomou muito chopes e comeu muito pastéis...
 
Quem usa um antes de mil terá de usar uma quando o substantivo for feminino, o que torna a linguagem ainda mais ridícula. Imagine, caro leitor, ter de dizer que um livro se chame' , Uma mil dúvidas de português"

 

Sua irmã parece com a minha.

Sua língua também se parece muito com a dos trogloditas.

O verbo não é simplesmente parecer, mas parecer-se:

                     Eu me pareço muito com Luís. (E não: Eu pareço muito com Luís.)

                     Nós nos parecemos com eles. (E não: Nós parecemos  com eles.)

                     Sua irmã se parece com a minha.

 

Devo sentar na mesa?

Não! gente educada, civilizada, elegante, sentar-se à mesa já que o verbo é sentar-se, e não simplesmente sentar, e quem está encostado, perto da mesa, está à mesa, e não na mesa.

Na mesa ficam, pratos, talheres, toalhas, etc...

 

Alguém pode ficar esperando uma pessoa na porta?

Se for inteligente, preferirá ficar esperando à porta: é bem menos complicado. O caro leitor já viu alguém  na porta, dentro dela?
 
Há as que dizem: "O ônibus passa na parta de casa". Passar na porta é passar por cima dela! Apesar de ser uma porta - convenhamos - ela não tem culpa!...

 

Devo escrever todo mundo ou todo o mundo?

Escreva sempre todo o mundo, em qualquer sentido:

                            Todo o mundo nasce nu. (= Todas as pessoas nascem  nuas.)

                            Todo o mundo está poluído. (= O mundo inteiro está poluído.)

Não há quem faça jornalista brasileiro aprender isso. Eles escrevem todo mundo, imaginando que todo o mundo só pode ser usado em referência ao mundo inteiro. É...

 

Sua sogra come  toda hora?

Não! sogras comem a toda a hora,  a toda a velocidade, a todo o momento, a todo o instante, sempre com o artigo.

 

Escola do primeiro e segundo graus?

Não, embora haja muitas escolas par aí que assim se intitulem, o que não deixa de ser uma ironia e uma tristeza. Antes dos numerais ordinais, nesse caso, o uso do artigo é obrigatório: escola do primeiro e segundo graus. Ninguém cursa primeiro nem segundo graus; todo o  mundo cursa o primeiro e o segundo graus.
 
Há pouco tempo tivemos uma eleição em dois turnos; no primeiro turno venceram Collor e Lula; no segundo, venceu elle. Ninguém votou em primeiro turno nem em segundo turno, mas no primeiro turno, no segundo turno.

Escolas do primeiro e segundo graus, por favor, emendai -vos!

 

As vendas, no comércio, caíram em 50%?

Essa é uma frase típica de jornalista, que usa em antes de numeral percentual, sem nenhuma necessidade. Diz ou escreve melhor quem faz assim: As vendas, no comércio, caíram 50 %. E ainda se economizam tempo e espaço...

Eis duas frases colhidas no jornal Folha de S. Paulo:

      Conjunto de opcionais pode aumentar o preço de um carro em mais de 20 % .

      O movimento de compensação de cheques em Salvador caiu em cerca de 30 % .

Senhores jornalistas, economizem o nosso tempo, a nossa paciência e o espaço de seu jornal!

 
Posso dizer que amanheceu o dia?

Se acha que é razoável dizer " amanheceu a noite", pode usar à vontade essa redundância de assustar jegue. Basta dizer amanheceu. Já não se entende que foi o dia?

Certa vez lemos no pára-choque de um desses camioneiros folgados da vida: "Quer você acorde ou não, o dia amanhecerá" . Camioneiros de todo o Brasil, acordai!...

 

 
Camioneiro ou caminhoneiro?

Camioneiro é forma várias vezes melhor que caminhoneiro, que, a exemplo de minissaia, é a forma oficial. Foi outro equívoco (?) de quem a oficializou, naturalmente pensando que a palavra tinha algo que ver com caminho.

Tomaram caminho errado...

A verdade é que não se pode, então, afirmar que caminhoneiro é forma errada; o equívoco está consagrado oficialmente, assim como Mossoró, que, por ser nome de origem indígena, jamais deveria ser escrito com ss. Mas está lá, registrado. Os que têm bom-senso, todavia, escrevem camioneiro, mini-saia e Moçoró.

 

Discrição ou discreção?

Discrição, evidentemente. A forma discreção, assim como indiscreção, foi criada pelo povo, que viu discreto e indiscreto e passou a usar aquelas formas, por analogia como estas. O aconselhável, sempre, é manter a discreção,  jamais cometer indiscreções.

 

Rui Barbosa foi o Águia de Haia?

Não. Rui Barbosa foi a Águia de Haia. Por quê? Porque a águia é a ave que simboliza talento, perspicácia, inteligência; o águia é cabra-safado, velhaco. Não obstante a evidência, há muitos professores (até de Português) que dizem a seus alunos: " Rui Barbosa foi o Aguia de Haia". E os indefesos alunos acreditam!...

 

Ainda se usa o trema?

Usa-se, mas apenas no u átono dos grupos gue, gui, que, qui. Escreva, portanto: agüentar, alcagüete, Güiana, güianense, eqüestre, seqüestro, antiqüíssimo, qüinqüenal, etc.

 

Haja vista é expressão variável?

        No português contemporâneo, não. Hoje só se usa haja vista os acidentes, haja vista as mudanças, etc. Antigamente, essa expressão variava; por isso, muitos professores de Português ainda exigem que seus alunos efetuem a variação.

 

Pode um pianista estar no piano?

Os verdadeiros pianistas sempre estão ao piano, tocando e encantando. Os outros... bem, os outros devem ficar no piano mesmo, a fim de não atrapalharem quem sabe...

A é que indica proximidade, e não em. Por isso, ficamos à janela, ao portão, ao telefone. Ninguém fica na linha, aguardando alguém; nós, seres humanos, ficamos à linha. De preferência...

 

Um motorista, então, também não pode dormir no volante?
       
Se dormir ao volante já é perigoso, que se dirá, então, daquele que dorme no volante! E tragédia, na certa...

 

Na praia, ficamos no sol?

Não: pessoas sãs costumam ficar ao sol; as outras ficam no sol , que é um pouquinho quente...As pessoas que não gostam de se expor gratuitamente ficam sempre ao sol, ao vento, à chuva, ao relento, ao sereno. Além de mais saudável, é mais inteligente...

 

 
Acordei-me e fui pra praia: certo?

Errado! Ninguém se acorda e vai pra praia. O melhor mesmo é acordar e ir à praia, pois o verbo não é acordar-se. Quem vai pra praia, vai com a intenção de ficar a vida inteira. Nem os baianos exageram tanto no gosto pela praia!... Ir a dá idéia de volta; ir para dá idéia de estada longa ou permanência definitiva. O caro leitor vai para a praia?

 

 

Quais forarn as maiores " pérolas" já ouvidas por um resignado professor de português?

Ah, existem várias, mas as que passo a contar marcaram fundo!

Num Estado do Sul do Brasil, uma garota não se conformava com as Sucessivas crises de nervos da mãe. Ingenuamente, então, justifica: "Minha mãe está na menorpausa. Por isso fica irritada à toa, coitada". A menopausa - garantimos - causa bem menos irritações...

Num Estado do Nordeste, uma garota dizia que não gostava de fazer nada "aos troncos e barrancos". A mesma pessoa, que não gosta de fazer nada aos trancos e barrancos, certa vez ameaçou as amiguinhas de escola: "Se um dia eu pegar meu namorado com outra, ele que já vá assinando seu atestado de órbita! E ela também!". Valentes as soteropolitanas! Morto, porém, qualquer namorado infiel preferirá - com certeza - um atestado de óbito...

Na mesma Salvador, essa gostosa e querida Capital brasileira, uma senhora havia passado por delicado estado de saúde. Declara, então, sem pestanejar: "Bebi tanto naquela festa, que cheguei a ficar em estado de cômoda!". Quando disse isso, estava perfeitamente lúcida, o que não deixou de fazer que outras pessoas ficassem em estado de coma...

Já em São Paulo, na cidade de Ribeirão Preto, a chamada Capital da Cultura, uma advogada, esposa de um querido magistrado, ao desejar enaltecer as "qualidades" do quintal da casa de seu pai, profere: "O quintal da casa de papai é uma delícia: tem até pé de jabuticabeira!". E saber que nossos quintais só têm pés de jabuticaba! Ou simples jabuticabeiras...

Na mesma Ribeirão Preto, estava eu ao balcão de uma farmácia, aguardando que me trouxessem um analgésico. Irrompe, então, porta adentro, uma desesperada mãe, que pede ao atendente: "Moço, por favor, moço, o que o senhor tem aí para pênis estuporada? Minha filha tá com â Pênis estuporada, moço!". Ao ouvir aquilo, fiquei mais compadecido da mãe que da filha... Como, porém, se tratava da filha, e não do filho, minha preocupação diminuiu sensivelmente... Precisei, todavia, comprar não mais um, mas dois analgésicos...

Só muito depois vim a concluir que aquela desesperada mãe queria salvar o     apêndice da filha, o qual supunha estar supurado...

Na mesma Capital da Cultura, uma dona de restau­rante, quando a inflação dos tempos de Sarney, estava na casa dos 80%, disse a um de seus clientes: "E, a situação está periquitante!". Como ela não tinha periquito nenhum na casa, imaginei que quis dizer periclitante...

Na mesma Capital da Cultura (?), uma senhora, séria, logo após a eleição de Jânio Quadros à Prefeitura de São Paulo, nos anos oitentas, declara, pasmada: , 'Imagine elegerem um Jânio Quadros na era da Infor­mática e do bebê de trombeta!". Mal sabia que ela própria bem poderia ter sido um bebê de proveta...

Depois de conhecido o resultado das eleições presidenciais, declara um político pela televisão: "Ganhou o Collor. Dos males, o melhor". Realmente, dos males, o menor.. .

 

 
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By Nadia Maria Meirelles