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Língua Latina

Língua Latina

Mesmo que considerem o Latim como uma língua morta ele continua sempre  presente.

O latim é considerado uma língua morta em nosso país, mas existem passagens que ainda são citadas por  advogados, juízes e entre outros, demonstrando o quanto ele está presente em nossas vidas, até os dias de hoje. É uma pena que muitos jovens não tenham acesso a essa língua tão rica em cultura.  (Nadia Maria)

 


ORIGEM E COMO EVOLUIU O LATIM

 

O latim deriva de línguas arcaicas faladas no Lácio e em Roma, consolidando-se gramaticalmente a partir do século III a.C. Do local de sua origem (Lácio – região da Itália central = Latium, no idioma deles) provém o nome LATIM. Teve seu período clássico entre os anos 81 a.C e 17 d.C., época dos principais escritores latinos: Cícero, César, Vergílio, Horário, Ovídio, Tito Lívio, dentre outros.

O apogeu do Império Romano e as guerras de conquistas levaram o latim popular, falado pelos soldados romanos, para outras regiões da Europa, onde interagindo com idiomas locais, deu origem às línguas neolatinas.


Como acontece em todo idioma, havia a língua gramaticalmente correta dos literatos e a língua popular, falada pelo povo de pouca instrução e sem preocupação com a correção gramatical. Foi esta última que se espalhou pela Europa e, no caldeirão dos dialetos regionais, comandou a formação das linguas neolatinas, inclusive o português.

O português foi o resultado da mistura do latim com o galego, principal lingua falada na região do Condado Portucalense, que hoje corresponde à região de Portugal. Foi uma das linguas derivadas que mais demorou a se formar, sendo provavelmente este o motivo de ser o português tão semelhante ao latim.

O latim literário continuou a ser adotado e utilizado durante muitos séculos pelos escritores cristãos, mesmo depois de não ser mais falado como linguagem corrente na sua região de origem. Por influência dos monges, o latim era utilizado também como idioma dos intelectuais, filósofos e cientistas, que escreviam suas obras em latim, pela facilidade de serem lidos em qualquer parte da Europa. Somente a partir do século XVII, a literatura filosófica e científica passou a ser produzida em lingua vernácula.

Atualmente, o latim é a língua oficial da Igreja Católica, utilizado na produção dos documentos oficiais do Vaticano, seja da Cúria Romana, seja das entidades agregadas. As Universidades Pontifícias de Roma, por exemplo, expedem seus Diplomas em latim ainda hoje. Os documentos oficiais da Igreja Católica, originalmente escritos em latim, são imediatamente traduzidos no próprio Vaticano e distribuídos pelos diversos países já no idioma vernáculo.

Para não citar apenas exemplos distantes, nos anos de 1969/1970,no Seminário dos Frades Capuchinhos do Ceará, estudei filosofia em livros escritos em latim, editados na Itália.

Fora das instituições eclesiásticas, a língua latina continua a ser adotada na notação científica dos seres vivos, além de ter uso esporádico no ambiente forense.

 

 ALFABETO LATINO

COMPOSIÇÃO E PRONÚNCIA DAS LETRAS
 

O alfabeto latino primitivo era composto de 21 letras, ou seja, o mesmo alfabeto do português atual, excluindo-se o J, o V e o Z, mas incluindo-se o K. As letras I e U tinham valores ora de consoante, ora de vogal, conforme o contexto fônico do vocábulo. Por exemplo, o I e o U tinham valor de consoante quando vinham precedendo uma vogal, em qualquer posição na palavra. Nos demais casos, tinham valor de vogal. Daí encontrarem-se expressões do tipo: SVB VMBRA ALARVM TVARVM ou invés de SUB UMBRA ALARUM TUARUM. (Sob a sombra de tuas asas).

O sinal K foi logo no início aceito, por influência do grego. Também por essa mesma influência, a fim de facilitar as transcrições literárias, foram incorporados os sinais Y e Z. Mais tarde, lá pelo século XVI, foram incorporados à escrita latina também os sinais J e V, certamente por influência das próprias linguas neolatinas, então já existentes. Este assunto, no entanto, não é ponto pacífico entre os gramáticos.

Outra que é motivo de controvérsias é a pronúncia do latim. A mais difundida, na época do ensino do latim no Brasil (até a década de 60), era a pronúncia eclesiástica, com forte acento italiano, por influência dos padres da Igreja Católica.

Os estudiosos da gramática comparativa, na área de linguística, tentaram construir uma pronúncia do latim mais original, sendo esta chamada de pronúncia restaurada. Há ainda a pronúncia aportuguesada, que também era utilizada no Brasil na época do ensino do latim nas escolas.

Essas informações têm aqui apenas caráter ilustrativo, já que não iremos praticar a pronúncia. Para efeitos práticos, sugiro que se adotem os mesmos valores fonéticos das letras na pronúncia portuguesa, observando-se as seguintes particularidades:

a) as vogais mantêm sempre seu som original, em qualquer posição que ocupem no vocábulo, evitando-se pronunciar o “o” como “u” e o “e” como “i” no final das palavras;

b) os ditongos “ae” (æ) e “oe” pronunciam-se como “e”;

c) a sílaba “ti”, quando não for tônica nem precedida por “s”, será pronunciada como “ci”;

d) a letra “x” tem sempre o som de “ks”, como na palavra “fixo”;

e) o grupo “ch” tem sempre o som de “k”;

f) os conjuntos “qu” e “gu” pronunciam-se sempre como se houvesse um trema no “u”;

g) o grupo “ph” tem o som de “f”.

Não se usavam acentos gráficos em latim, porém em alguns livros se usavam os mesmos acentos do português, a fim de facilitar a leitura. Como regra geral, atente-se para o fato de que não existem palavras oxítonas em latim, a não ser aquelas de uma sílaba só. Havendo dúvida, deve-se consultar um dicionário.

Convém observar que há divergências entre os gramáticos quanto a algumas das informações acima expostas. Vocês poderão encontrar pequenas variações, dependendo do autor da gramática que pesquisarem. Isso é bastante compreensível, uma vez que não se sabe exatamente como era pronunciado o latim, porque a pronúncia original não foi conservada, mas sofreu influências ao longo dos séculos.
 

 

 A ESTRUTURA DA LÍNGUA LATINA

(DECLINAÇÕES, DESINÊNCIAS E CASOS)
 

DECLINAÇÃO - O latim é uma língua declinável. Isto significa que é fundamentada na sintaxe e por isso a terminação das palavras muda de acordo com a sua função dentro da frase. Da mesma como os verbos assumem uma forma diferente para cada pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles), os substantivos, adjetivos, numerais, bem como os particípios dos verbos em latim também alteram a terminação de acordo com o contexto. A isto se chama ‘declinação’.
 

DESINÊNCIA - Chama-se ‘desinência’ à parte final da palavra que se altera de acordo com a sua função sintática; chama-se ‘radical’ à parte fixa da palavra. Assim, todas as palavras têm um radical e uma desinência. Isto vale para verbos, substantivos, adjetivos. Note apenas que os verbos se conjugam, enquanto as outras palavras se declinam.
 

CASOS - No latim, há cinco declinações, dentro das quais se enquadram todas as palavras.

Cada declinação tem seis casos, assim identificados, tomando como exemplo a palavra ‘Maria’:

 

Casos e Função da Palavra

Caso Nominativo -  quando a palavra é sujeito na frase ou predicativo do sujeito; (ex: Susana  é bonita).

Caso Vocativo -  quando exprime exclamação, interpelação; (ex: Ó Susana, és bonita).

Caso Acusativo -  quando é objeto direto; (ex: Amo Susana)

Caso Dativo -  quando é objeto indireto; (ex: Dei uma flor a Susana)

Caso Genitivo -  quando é um complemento restritivo, regido pela preposição “de”, exprimindo em geral um possessivo’; (ex: A bolsa de Susana)

                                                                                                                                           Caso Ablativo -Complemento que indica modo, meio, origem, condição, lugar, tempo. Em português, as palavras vêm acompanhadas com uma preposição (com, por, em), mas em latim esta preposição é geralmente oculta. (ex: por Susana, com Susana).

A regra básica para se identificar a que declinação pertence uma palavra é verificar a sua desinência do genitivo singular. Nos dicionários, a palavra sempre aparece na sua forma do nominativo, seguida pelo genitivo. Portanto, assim se reconhecem as declinações das palavras:

1ª. declinação - desinência do genitivo em "ae";

2ª  declinação -  desinência do genitivo em " i ";

3ª declinação - desinência do genitivo em " is ";

4ª declinação - desinência do genitivo em " us ";

5ª declinação - desinência do genitivo em " ei "
 

Pergunta: por que se usa o genitivo para identificar as declinações e não o nominativo, que é a forma original da palavra?

Resposta: porque em algumas declinações, o nominativo pode assumir terminações diversas, mas no genitivo a terminação é sempre a mesma.

Estas informações ditas assim em forma descritiva podem parecer até confusas ou complexas, no entanto, o conhecimento e a boa compreensão delas será fundamental para o entendimento das noções gramaticais que virão nos próximos capítulos.

Agora, uma curiosidade. Do ponto de vista morfológico, em geral, os adjetivos da língua portuguesa derivam do genitivo das palavras em latim. Por ex: ‘lex’ deu origem a ‘lei’; mas é do seu genitivo ‘legis’ que derivam: legislativo, legista, legal, legislador. ‘Tempus’ deu origem a ‘tempo’, mas é do genitivo ‘temporis’ que derivam: temporal, temporário. ‘Lumen’ deu origem a ‘luz’, mas é do genitivo ‘luminis’ que derivam: luminoso, luminária.

 

PRIMEIRA DECLINAÇÃO

A primeira declinação em latim abrange as palavras terminadas em ‘a’ no nominativo e que no genitivo têm a desinência ‘æ’. Isto se aplica aos substantivos, adjetivos, numerais e aos particípios passados dos verbos.

Exemplos:

‘insula’ (pronúncia: ínsula) = ilha;

‘incola’ (pron: íncola) = habitante;

‘rotunda’ (pron. paroxítona) = redonda;

‘deducta’ (paroxítona) = deduzida.

Seguindo a regra já apresentada, temos em ‘insula’ o radical ‘insul’ e a desinência ‘a’; em ‘incola’, o radical é ‘incol’ e a desinência ‘a’. Portanto, na hora de declinar, o que vai alterar é apenas a desinência.

Casos da primeira declinação:

Casos                                                  Singular                                             Plural

Nominativo                                           insula                                                insulae

Genitivo                                                insulae                                              insularum

Dativo                                                   insulae                                              insulis

Acusativo                                              insulam                                             insulas

Vocativo                                                insula                                               insulae

Ablativo                                                 insulam                                             insulis

Exemplos:

1. A ilha é redonda. – Insula rotunda est. (Note que é comum no latim o verbo vir no final da frase)

Comentários: insula = sujeito; rotunda = predicativo do sujeito; ambos, pois, estão no caso nominativo.

2. O habitante da ilha – Insulæ incola.

Comentários: não há artigos em latim; habitante = incola, por não ter nenhuma regência, fica no nominativo; insulæ = da ilha, possessivo, regido pela preposição ‘de’, portanto, vai para o genitivo.

3. Vejo a ilha. - Insulam video.

Comentários: insulam = a ilha, objeto direto, vai para o acusativo; video = vejo, 1a. pessoa do singular do verbo ver no indicativo presente. Não existe o artigo.

4. Perigo nas ilhas. – Periculum in insulis.

Comentários: A preposição ‘in’ (em, no, na, nos, nas) sempre rege ablativo, ou seja, a palavra a ela vinculada vai para o ablativo. Daí a palavra ‘insula’ assume a forma ‘in insulis’, porque está no ablativo plural; periculum = perigo, está no nominativo neutro da 2a. declinação (que será estudada adiante).
 

 

 PARTICULARIDADES DA PRIMEIRA DECLINAÇÃO

Inicialmente, convém lembrar que os gêneros das palavras em latim nem sempre correspondem ao que elas são em português. Na primeira declinação, com terminação ‘a’ no nominativo e ‘æ’ no genitivo, a maioria das palavras é do gênero feminino. Porém, há também as do gênero masculino em latim terminadas em ‘a’, como por ex:

‘Incola’ (pron: íncola) = habitante;

‘nauta’ = marinheiro;

‘athleta’ = atleta;

‘agricola’ (pron: agrícola);

‘pöeta’ = poeta (note-se que esta palavra tem um trema no ‘o’, para evitar que seja pronunciado ‘e’, assim como em ‘coelum’, que se pronuncia ‘célum’).

Há ainda aquelas palavras que só existem na forma plural, não têm singular, como por ex:

‘Nuptiæ’ (pron: núpcie) = núpcias; ‘divitiæ’ (pron: divície) = riquezas;

‘Athenae’ (pron: aténe) = Atenas (a cidade grega).

Há também algumas palavras que têm um sentido no singular e outro diferente no plural.

Por ex:

‘copia’ (pron: cópia) = no singular, abundância; já ‘copiæ’ (pron: cópie) = no plural, tropas, exército;

‘littera’ (pron: lítera) = no singular, letra; ‘litteræ’ (pron: lítere) = no plural, carta, correspondência;

Há mais dois casos excepcionais em que não se faz o genitivo em ‘æ’, como é a regra. São duas expressões do latim arcaico, que se conservaram pela tradição.

São elas:

‘paterfamilias’ e ‘materfamilias’, respectivamente, pai de família e mãe de família, que são consideradas corretas ao lado de ‘pater familiæ’ e ‘mater familiæ’, as formas que seguem a regra gramatical.

É curioso notar que não há palavras do gênero neutro na primeira declinação. Só há palavras masculinas ou femininas.

É oportuno observar ainda que a língua latina é muito pródiga em exceções. Evitarei descer a muitos detalhes, destacando apenas algumas formas excepcionais mais usadas.

 

 SEGUNDA DECLINAÇÃO

A segunda declinação em latim abrange as palavras terminadas no nominativo em ‘er’, ‘us’ e ‘um’ e que no genitivo têm a desinência ‘i’.

Exemplos:

‘puer’ (pronúncia: púer), ‘pueri’ (gen., pron: púeri) = menino;

‘piger’ (pron: píger) ‘pigri’ (gen.pron:pígri). = preguiçoso;

‘bonus’ (pron. bónus), ‘boni’ (gen.pron:bóni) = bom;

‘verbum’ (paroxítona), ‘verbi’ (gen.pron:vérbi) = palavra.

Observa-se que há uma maior diversidade de formas do caso nominativo, porém, a desinência no genitivo é sempre em ‘i’. Note que as palavras com nominativo em ‘er’, fazem o genitivo apenas acrescentando o ‘i’, no entanto, outras trocam o ‘er’ por ‘ri’. Estes detalhes sempre aparecem nos dicionários e são facilmente perceptíveis na hora da consulta.

Casos da segunda declinação:

Singular

Nominativo                   puer                   ager            bonus             verbum

Genitivo                       pueri                   agri             boni                verbi

Dativo                          puero                  agro            bono               verbo

Acusativo                     puerum              agrum          bonum            verbum

Vocativo                      puer                    ager             bone              verbum

Ablativo                       puero                  agro             bono               verbo


 

Plural:

Nominativo                  pueri                   agri               boni                verba

Genitivo                      puerorum            agrorum        bonorum         verborum

Dativo                         pueris                  agris             bonis               verbis

Acusativo                    pueros                agros            bonos               verba

Vocativo                      pueri                   agri               boni                  verba

Ablativo                      pueris                  agris             bonis                verbis
 

Em geral, as palavras terminadas no nominativo em ‘er’ e ‘us’ são masculinas, enquanto as terminadas em ‘um’ são do gênero neutro. Observe que as palavras neutras, fazem o nominativo plural em ‘a’, enquanto as demais o fazem em ‘i’.

Exemplos:

1. Puer bonus est. – O menino é bom.

Comentários: puer = sujeito; bonus = predicativo do sujeito; ambos, pois, ficam no nominativo.

2. Agricolæ filius piger est. = O filho do agricultor é preguiçoso.

Comentários: não há artigos em latim; agricolæ = do agricultor, possessivo regido pela preposição ‘de’, portanto, vai para o genitivo da 1a. dec; ‘filius’ e ‘piger’, respectivamente, sujeito e predicativo do sujeito, ficam no nominativo.

3. Templa Romæ video. – Vejo os templos de Roma.

Comentários: ‘templa’= templos, objeto direto, vai para o acusativo plural do neutro que, por coincidência, é igual ao nominativo plural de ‘templum’;

‘Romæ’ – de Roma, possessivo regido por ‘de’, vai para o genitivo da 1a. declinaçao.

Video (pron: vídeo)– eu vejo, 1a. pessoa do singular do verbo ver.

4. Discipulus libros Magistri portat. = O aluno (discípulo) leva os livros do Professor.

Comentários: discipulus – aluno, sujeito da frase, fica no nominativo; libros = objeto direto, acusativo plural de ‘liber’. Esta palavra significa ‘livro’, como substantivo, e ‘livre’, como adjetivo.

‘magistri’, possessivo, gen. sing. de ‘magister’ (=professor).

Portat – verbo portare (levar, carregar)

Observe que a ordem das palavras na frase não prejudica a compre independente de sua posição. Por ex: ‘discipulus’ é nominativo, portanto, só pode ser sujeito; ‘libros’ é acusativo, portanto, é objeto direto; temos o verbo ‘portat’ (de ‘portare’ = levar), que é transitivo direto e indireto (levar algo ou alguém a algum lugar). Assim vemos que ‘libros’ é obj. direto, ‘Magistri’ é gen. sing. de ‘magister’ (=profra, chega-se à sua tradução. A tradução sempre deve ser feita em vista do contexto todo da frase.

 

 TERCEIRA DECLINAÇÃO

A terceira declinação em latim é a que comporta maiores variações e abrange o maior número de palavras. Nela se incluem as palavras terminadas no nominativo em 'or', 'er', 'us', 'os', 'es', 'as', 'is', 'ex' 'en' , consoante mais 's', ou seja, há uma variedade enorme de terminações, com a única característica em comum que é no genitivo singular ter a desinência 'is'.

As duas primeiras declinações, assim como as duas últimas, que ainda veremos, têm desinências mais constantes no nominativo. Mas nesta terceira declinação, é praticamente impossível estabelecer uma regra. Destarte, não sendo conhecida a palavra, a única alternativa é consultar o dicionário.

Exemplos:

Em 'or' - 'pastor' (pronúncia: pástor), 'pastoris' (pron: pastóris - gen.) = pastor;

Em 'er' – 'pater' (pron: páter) 'patris' (pron: pátris - gen). = pai;

Em 'us' - 'tempus' (pron. témpus), 'temporis' (pron: témporis - gen.) = tempo;

Em 'os' – 'flos', 'floris' (pron: flóris - gen.) = flor;

Em 'es' – 'vulpes' (pron: vúlpes), 'vulpis' (pron: vúlpis - gen) = raposa;

Em 'as' – 'libertas' (pron: libértas), 'libertatis' (pron: libertátis) = liberdade;

Em 'is' – 'canis' (pron: cánis), 'canis' (gen = nom) = cão, cachorro;

Em 'ex' – 'lex', 'legis' = lei;

Em 'en' – 'lumen' (pron: lúmen), 'luminis' (pron: lúminis) = luz;

m consoante + 's' – 'mors', 'mortis' = morte; 'princeps', 'principis' (pron: ambos com tônica na 1a. sílaba) = príncipe.

Observa-se que há uma imensa diversidade de formas do caso nominativo, porém, a desinência no genitivo é sempre em 'is'. E note também que o radical a ser usado para aplicação das desinência nos demais casos segue o padrão do genitivo, e não o do nominativo.

Casos da terceira declinação:

Singular

Nominativo               pastor           flos          lex             tempus

Genitivo                   pastoris         floris        legis          temporis

Dativo                     pastori            flori          legi           tempori

Acustaivo               pastorem         florem     legem        tempus

Vocativo                 pastor             flos          lex             tempus

Ablativo                  pastore           flore        lege           tempore
 

Plural:

Nominativo            pastores         flores       leges         tempora

Genitivo                pastorum        florum       legum        temporum

Dativo                   pastoribus      floribus      legibus      temporibus

Acusativo              pastores         flores        leges          tempora

Vocativo                pastores         flores        leges          tempora

Ablativo                 pastoribus      floribus     legibus        temporibus
 

Nos exemplos citados, apenas a palavra 'tempus' é do gênero neutro. Convém não esquecer que os gêneros das palavras em latim nem sempre correspondem ao que as palavras são em português. Na dúvida, é necessário consultar um dicionário.

A título de indicação, apresento alguns exemplos de como as palavras aparecem nos dicionários, para facilitar a compreensão e a localização delas.

No dicionário, encontra-se: dolor, oris – significa que o genitivo de 'dolor' (pron: dólor) é 'doloris' (pron: dolóris); pater, tris – significa que o genitivo de 'pater' é 'patris'; mulier, eris – significa que o genitivo de 'mulier' (pron: múlier) é 'mulieris' (pron: mulíeris). E assim sucessivamente.

Labor, laboris = trabalho;

Uxor, uxoris = esposa;

Mulier, mulieris = mulher;

Dolor, doloris = dor;

Frater, fratris = irmão;

Iter, itineris = caminho;

Custos, custodis = guardião;

Nepos, nepotis = neto, sobrinho ou descendente familiar;

Mos, moris = costume;

Miles, militis = soldado;

Pes, pedis = pé;

Sermo, sermonis = sermão, discurso;

Fortitudo, fortitudinis = fortaleza;

Ratio, rationis = razão;

Civitas, civitatis = cidade;

Laus, laudis = louvor;

Judex, judicis = juiz;

Urbs, urbis = cidade;

Grex, gregis = rebanho

Nomen, nominis = nome;

Caput, capitis = cabeça;

Flumen, fluminis = rio;

Virtus, virtutis = virtude;

Bos, bovis = boi;

Pecus, pecoris = rebanho;

Avis, avis = ave;

Canis, canis = cachorro;

Nobilis, nobilis = nobre;

Sapiens, sapientis = sábio;

Felix, felicis = feliz;

Corpus, corporis = corpo.

Estes exemplos bem demonstram a variedade de que se compõe a terceira declinação. Sugiro, como exercício de fixação das desinências, que se tomem estas palavras ou algumas delas e as declinem em todos os casos, no singular e no plural, seguindo os exemplos apresentados.

 

PARTICULARIDADES DA TERCEIRA DECLINAÇÃO

A terceira declinação é a que apresenta maior complexidade, maior quantidade e variedade de palavras e também a que comporta mais exceções. Procuro evitar ao máximo estas referências a exceções, porém, termina sendo inevitável falar sobre elas.

Vejamos, pois, algumas informações. Primeiro, há uma distinção entre as dois grupos de palavras da terceira declinação:

Parassilábicas - aquelas que têm o mesmo número de sílabas no nominativo e no genitivo. Ex: panis, is (pão), civis, is (cidadão), navis, is (navio), ignis, is (fogo), sedes, is (sé ou sede, no sentido de local);

Imparassilábicas - aquelas que têm número de sílabas no genitivo maior que no nominativo. Ex: labor, laboris (trabalho), gutur, guturis (obs: sílaba tônica em 'gu' nas duas, =garganta), opus, operis (obra), fraus, fraudis (dano).

Por que esta distinção? Pelo seguinte: as parassilábicas fazem o genitivo plural em 'ium', enquanto as imparassilábicas fazem o genitivo plural em 'um', conforme explicado no capitulo anterior. Por ex: 'civis' fica 'civium', 'navis' fica 'navium'; porém 'gutur' fica 'guturum', 'opus' fica 'operum'.

Mas até nesta particularidade há exceções. Por ex: 'lis, litis' (processo), embora seja imparassilábico, faz o genitivo plural em 'ium' (litium). E há também o oposto, ou seja, parassilábicas que fazem o genitivo plural em 'um', por ex: 'canis' fica 'canum', 'pater' fica 'patrum'. Há ainda algumas palavras que admitem as duas possibilidades. Por ex: 'apis' (abelha) pode ficar no genitivo plural 'apium' ou 'apum', 'mensis' (mês) pode ficar 'mensium' ou 'mensum', 'vates' (adivinhador) pode ficar 'vatium' ou 'vatum'. Não há, pois, uma regra monolítica.

Faço esta observação não para confundir os iniciantes, mas apenas para que ninguém se espante ao se deparar num texto com esta forma do genitivo plural de algumas palavras.

Há ainda aquelas palavras que fazem o acusativo singular em 'im' e o ablativo singular em 'i', ao invés de acusativo 'em' e ablativo 'e', que é a regra. Por ex: 'sitis' (sede, necessidade de água) fica 'sitim' no acusativo e 'siti' no ablativo singular; 'tussis' (tosse), fica 'tussim' e 'tussi', respectivamente; 'febris' (febre) fica 'febrim' e 'febri'. São apenas alguns exemplos.

Para tranquilizar alguns mais apressados, aviso que o uso de uma gramática e de um dicionário é sempre necessário para se estudar latim. Não há como memorizar tantas excepcionalidades.

Também há aquelas palavras empregadas apenas no plural, embora em português o seu uso seja admitido no singular. Ex: maiores, um = antepassados; cervices, um = nuca; parentes, um = pais; verbera, um = açoites; moenia, um = muralhas.

 

 

QUARTA E QUINTA DECLINAÇÕES

 

Tomarei a um só tempo a quarta e a quinta declinações por terem regras mais uniformes e por possuirem um menor número de vocábulos. Na quarta declinação estão as palavras terminadas em ‘us’, que fazem o genitivo singular também em ‘us’. Apenas para esclarecer, há palavras terminadas em ‘us’, que fazem o genitivo em ‘i’; estas pertencem à segunda declinação. Para saber se a palavra terminada em ‘us’ fará o genitivo em ‘us’ (4a.) ou em ‘i’ (2a.), temos que recorrer a um dicionário. Não há regra para isto.

Casos da quarta declinação: (tomaremos uma palavra feminina – manus e uma palavra neutra – cornu).

Singular:

Nominativo        manus (pron: mánus = mão)            cornu (pron: córnu = chifre)

Genitivo            manus                                               cornus

Dativo               manui                                                cornui

Acusativo          manum                                               cornu

Vocativo           manus                                                cornu

Ablativo            manu                                                  cornu
 

Plural:

Nominativo      manus                                                cornua (pron: córnua)

Genitivo          manuum                                              cornuum

Dativo             manibus                                              cornibus

Acusativo        manus                                                 cornua

Vocativo         manus                                                  cornua

Ablativo          manibus                                               cornibus
 

Temos, portanto, dois grupos de exemplos. O primeiro se aplica às palavras masculinas e femininas; o segundo se aplica às do gênero neutro. Exemplos: fructus, (masculino, fruto), exercitus (m., exército), senatus (m, senado), arcus (m., arco), specus (m, caverna), portus (m., porto), magistratus (m., magistrado), acus (f., agulha), domus (f., casa), genu (neutro, joelho).

A quinta declinação reúne as palavras terminadas em ‘es’, que fazem o genitivo singular em ‘ei’. Quase todas são femininas, devendo ser feita uma ressalva à palavra ‘dies’ (dia), que é feminina, quando se trata de um dia determinado, uma data, mas é masculino, quando se trata de um dia indeterminado.
 

Casos da quinta declinação

Casos                         Singular                                Plural

Nominativo                 dies (pron: dies)                    dies

Genitivo                      diei (pron:diêi)                       dierum (pron: diérum)

Dativo                         diei                                      diebus (prom: diébus)

Acusativo                    diem (pron:díem)                  dies

Vocativo                      dies                                    dies

Ablativo                       die                                      diebus
 

A quinta declinação contém poucas palavras. Exemplos: res (coisa), fides (fé), spes (esperança), meridies (meio-dia).
 

 

OS GÊNEROS DOS SUBSTANTIVOS

Na língua latina, há três gêneros das palavras (substantivos e adjetivos ou outras categorias gramaticais quando são usadas como substantivos): masculino, feminino e neutro. 'Neutro' vem da palavra 'neuter', que significa 'nem um nem outro', referindo-se às palavras que não são nem masculinas nem femininas.

Não existe um padrão fixo para se determinar o gênero de uma palavra em latim, mas podem-se adotar as seguntes regras gerais:

 

       Quanto aos substantivos:

1. São masculinos os nomes de homens, de povos, de rios, de meses;

2. São femininos os nomes de mulheres, de países, de ilhas, de cidades, de árvores e os substantivos abstratos;

3. São neutros os nomes das letras, dos verbos (no infinitivo, quando são tomados como substantivos, por ex: o andar, o vestir...).

  • Quanto aos adjetivos:

1. Os adjetivos triformes têm seu gênero reconhecido pela terminação. Os terminados em 'us' são masculinos, os terminados em 'a' são femininos e os terminados em 'um' são neutros;

2. Os adjetivos biformes diferenciam-se pela terminação 'is' (masculino e feminino), 'e' (neutro). Ex: Nobilis, nobile; tristis, triste; mortalis, mortale; utilis, utile.

Há ainda os substantivos comuns de dois gêneros e os epicenos quanto ao significado, mas as palavras têm seus gêneros definidos. Por exemplo:

  • Dux, ducis (masc) – o comandante, a comandante;

  • Civis, civis (masc) - o cidadão, a cidadã;

  • Bos, bovis (masc) – o boi, a vaca;

  • Canis, canis (masc)– o cão, a cadela;

  • Aquila, ae (fem) – a águia (sem referência ao sexo)

  • Corvus, i (masc) – o corvo;

  • Vulpes, is (fem)– a raposa;

  • Anser, i (masc) – o pato.

Nestes casos, se for necessário referir-se ao sexo, flexiona-se o adjetivo correspondente ou acrescem-se os apelativos 'masculus, mascula (macho) ou femina (fêmea). Exemplos: Civis Romanus (cidadão romano); Civis Romana (cidadã romana); Anser masculus – anser femina (pato e pata); corvus masculus – corvus femina. Mas teremos: aquila mascula (águia macho) e aquila femina (águia fêmea); vulpes mascula (raposa macho) e vulpes femina (raposa fêmea).

Os substantivos de origem grega, a maioria nomes próprios e patronímicos, assim se classificam: são masculinos os terminados em 'as' e 'es'; são feminos os terminados em 'e'. Exemplos: Os nomes próprios Æneas (Enéias), Anchises (Anquises), Midas, Epaminondas, Leônidas, Górgias, Orestes são masculinos. Já Cybele, Penelope, Iocaste (Jocasta), Ismene, Antigone são femininos. Os nomes comuns 'cometes' (o cometa), 'sophistes' (o sofista), 'geometres' (o geômetra), dynastes (o príncipe) são masculinos.

 

 

CASOS ESPECIAIS DE SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS – EXPRESSÕES TEMPORAIS

 

Tal como em todos os idiomas, no latim há também casos específicos para o uso de certas palavras, formando expressões que nem sempre são encontradas nos dicionários. Vejamos alguns exemplos.

  1. SUBSTANTIVOS COMPOSTOS

Quando são compostos de dois substantivos ambos no nominativo, os dois se declinam, conforme o caso. Por exemplo, a palavra 'respublica' (res+publica), declina-se 'reipublicae', 'rempublicam', ... Quando, na composição, um deles está no genitivo, declina-se só o que está no nominativo. Por exemplo: iurisconsultus (iuris+consultus, sendo iuris=genitivo e consultus=nominativo), declina-se iurisconsulti, iurisconsultum, iurisconsultu.... Assim também agricultura (agri+cultura), legislator (legis+lator = portador da lei).

  1. SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS INDECLINÁVEIS

  • fas (lícito) – nefas (ilícito)

  • nihil (nada)

  • instar (semelhança)

  • mane (manhã)

  • nequam (mau, inútil)

  • tot (tantos), quot (quantos), aliquot (alguns)

  • numerais de 4 até 200

 

 

  1. EXPRESSÕES RELACIONADAS COM PERÍODOS DO DIA

  2.  

  • Mane erat – Era de manhã.

  • Summo mane (ou Primo mane) – De manhã bem cedo.

  • Hodie mane (ou hodieno mane) – Hoje de manhã.

  • Cras mane (ou crastino mane) – Amanhã de manhã.

  • Hesterno mane – Ontem de manhã.

  • Postero mane – Na manhã seguinte.

  • A mane ad vesperum – De manhã à tarde.

  • Vesperi – De tarde.

  • Heri vesperi – Ontem de tarde.

  •  

  1. SUBSTANTIVOS DEFECTIVOS

São aqueles que não existem em todos os casos, mas só em situações especiais.

Exemplos:

  • 'Preces' só se declina no plural; no singular, só tem o ablativo 'prece'.

  • 'Verbera' só se declina no plural; no singular, só tem o ablativo 'verbere' (açoite).

  • Sponte sua (por sua livre vontade) só existe no ablativo singular. Assim também 'sponte mea', 'sponte nostra', 'sponte vestra'.

  • Rogatu meo (a meu pedido), Invitatu tuo (a teu convite), Iussu meo (por minha ordem), Iniusso suo (sem ordem dele) usa-se só no ablativo singular.

  • Rogatu patris (a pedido do pai), Invitatu amici (a convite do amigo), Iussu regis (por ordem do rei), Rogatu populi (a pedido do povo) usa-se o ablativo singular associado a um genitivo.

  • Noctu – de noite, Diu – de dia têm somente estas formas.

 

 

  1.  

  2. EXPRESSÕES DE DATA E HORA

  3.  

Para expressar datas e horas, usam-se os numerais ordinais.

Exemplos:

  • Quot hora est? (Que horas são?)

  • Nona hora est. (São nove horas.)

  • Quot hora? (A que horas?)

  • Hora quarta (ou) Hora sexta (Às quatro horas – às seis horas)

  • Anno millesimo nongentesimo nonagesimo nono (em 1999).

  • Anno bis millesimo (no ano 2000)

  • Anno bis millesimo primo (no ano 2001)

  • Anno bis millesimo secundo) no ano 2002)

  • Quinto quoque anno (de cinco em cinco anos) – Usa-se a palavra 'quoque' = também pare exprimir regularidade.

  • Decimo quoque mense (de dez em dez meses)

  • Septimo quoque die (de sete em sete dias).

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS VERBOS EM LATIM – PARTE  I

 

1. Considerações gerais.

Os verbos constituem a classe gramatical mais difícil do latim, por sua imensa variedade e, principalmente, por sua enorme versatilidade. Além de terem uma conjugação mais vasta do que em português, chegam a assumir diversos modos excepcionais, o que torna imprescindível o uso do dicionário e da gramática, para sua tradução e conjugação.

Uma característica importante é que não se usam os pronomes pessoais antes dos verbos, a não ser raramente, para enfatizar. Devido à sua conjugação assumir uma desinência diferente para cada pessoa verbal, torna-se desnecessária a indicação do pronome pessoal.

Os verbos em latim podem ser (como também em português) transitivos ou intransitivos, conforme a sua necessidade ou não de objetos para a complementação do sentido. É importante sempre lembrar que a regência dos verbos em latim nem sempre corresponde ao seu correlato em português. Ou seja, um verbo pode ser transitivo direto em latim e pode não ser assim em português, e vice-versa.

2. Vozes do verbo

O latim tem três formas verbais de conjugação (vozes do verbo): ativa, passiva e depoente. Em português, só há as duas primeiras. A forma depoente é uma característica do latim e se configura pelo uso da forma verbal na voz passiva, no entanto, com o significado de voz ativa.

Explicando melhor. Tomemos o verbo ‘laudare’ (louvar). Na voz ativa, a primeira pessoa é ‘láudo’ (eu louvo); na voz passiva, a primeira pessoa é ‘láudor’ (sou louvado). [OBS: O acento é apenas representativo da pronúncia.] Como se vê, na voz passiva acrescenta-se um ‘r’ à primeira pessoa. Mas há, por exemplo, o verbo ‘lóquor’, que pela forma está escrito na voz passiva, porém significa ‘eu falo’, na voz ativa. Este é um verbo depoente. Conforme disse acima, para conhecer as formas dos verbos, é indispensável o uso do dicionário. Não há regra para isto nem há como memorizar todos os casos.

3. Conjugações

A língua latina tem quatro conjugações verbais, que se distinguem pela terminação do infinitivo:

1ª conjugação – verbos terminados em ‘are’;

2ª conjugação – verbos terminados em ‘ére’ (‘e’ tônico);

3ª conjugação – verbos terminados em ‘ere’ (‘e’ átono);

4ª conjugação – verbos teminados em ‘ire’.
 

Exemplos:

1ª conjugação: amare (amar), ambulare (andar), laborare (trabalhar), obtemperare (obedecer), vulnerare (ferir), æstimare (apreciar);

2ª conjugação: monére (avisar); adhibére (usar); cohibére (reprimir); habére (ter); merére (merecer); placére (agradar); tacére (calar); prohibére (proibir);

3ª conjugação: légere (ler); deféndere (defender); dícere (dizer); accéndere (subir); statúere (estabelecer); dúcere (conduzir); tóllere (tomar);

4ª conjugação: audire (ouvir); custodire (guardar); dormire (dormir); erudire (ensinar); impedire (impedir); munire (fortificar); nutrire (alimentar).

4. Notações gramaticais

Tendo em vista que os verbos em latim assumem grande versatilidade nas formas, costuma-se citar um verbo mencionando as suas formas básicas, que são: primeira e segunda pessoa do singular do presente, primeira pessoa singular do pretérito perfeito, supino e infinitivo. É assim que comumente eles se encontram nos dicionários. Ao verificar estas formas, percebe-se logo se o verbo é regular ou irregular, bem como orienta-se a sua conjugação, conforme será explicado posteriormente.

Exemplo 1: o verbo ‘laudare’ (louvar) encontra-se no dicionário assim:

Laudo [1ª pes. Sing. Pres.), laudas [2ª pes. Sing. Pres.], laudavi [1ª pes. Sing. Pret. Perf.], laudatum [supino, assemelha-se ao particípio passado], laudare [infinitivo]. Percebe-se que é um verbo regular, porque conserva as formas padronizadas da 1ª conjugação (‘avi’ no pret.perf. e ‘atum’ no supino).

Exemplo 2: o verbo ‘monére’ (avisar) encontra-se assim:

Móneo, mónes, mónui, mónitum, monére – também é regular, pois conserva o padrão da 2ª conjugação (‘ui’ no pret.perf. e ‘itum’ no supino).

Exemplo 3: o verbo ‘dare’ (dar) encontra-se assim:

Do, das, dédi, datum, dare – é um verbo irregular, pois não conserva o padrão ‘avi’ no pret.perf. como os verbos regulares da primeira conjugação (terminação ‘are’).

Exemplo 4: o verbo ‘manére’ (permanecer) encontra-se assim:

Máneo, mánes, mánsi, mánsum, manére – é um verbo irregular, pois não conserva o padrão ‘ui’-‘itum’ da 2ª conj.

5. Dicas

Ao consultar um verbo no dicionário, deve-se pesquisar pela primeira pessoa do presente, pois é assim que eles aparecem. Não seguir o padrão dos dicionários de português, que colocam o verbo no infinitivo. Ex: o verbo ‘investigare’ (investigar) deve ser procurado no dicionário latino pela sua primeira pessoa, ou seja, ‘investigo’.

A terceira conjugação tem a maioria dos verbos irregulares. É impossível estabelecer um parâmetro comum. Alguns destes verbos passam para formas tão diferentes nos tempos verbais que os bons dicionários colocam até estas formas, a fim de orientar os estudantes.


 

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS VERBOS EM LATIM  -  PARTE II

 

1. Tempos primitivos
 

A consulta dos verbos no dicionário deve ser feita pela primeira pessoa do singular, conforme dito antes. Associados a ela encontramos os tempos primitivos do verbo, pelos quais é possível verificar se o verbo tem conjugação regular ou irregular e ainda é possível compor os seus diversos tempos conjugáveis.

Por exemplo: o verbo ‘laborare’ (trabalhar) aparece na seguinte sequência:

laboro, as, avi, atum, are. Isto significa que:

1.ª pessoa do presente do indicativo = laboro;

2.ª pessoa do presente do indicativo = laboras;

1.ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo = laboravi;

supino = laboratum

infinitivo = laborare.

Trata-se de um verbo regular da primeira conjugação. Aliás, os verbos da primeira conjugação, na sua grande maioria, são de conjugação regular.

Outro exemplo:

Compare o verbo ‘respondere’ (responder), que fica assim:

respondeo, es, respondi, responsum, respondere

com o verbo ‘eligere’ (eleger, escolher) está assim: eligo, is, elegi, electum, eligere.

Observa-se que:

a) são verbos irregulares, porque alteram os radicais (respond- e elig-) nos tempos primitivos;

b) o verbo ‘respondere’ é da segunda conjugação pois tem a segunda pessoa do presente do indicativo em ‘es’;

c) o verbo ‘eligere’ é da terceira conjugação, pois faz a segunda pessoa em ‘is’;

d) assim sendo, o verbo ‘respondére’ é paroxítono e o verbo ‘elígere’ é proparoxítono (terminação verbal tônica na 2.ª conjugação e átona na 3.ª);

e) a maioria dos verbos de conjugação irregular encontra-se na 2.ª e na 3.ª conjugações.

 

2. Derivação a partir dos tempos primitivos

 

Os demais tempos verbais derivam dos tempos primitivos, do seguinte modo:

a) do radical do presente do indicativo derivam: o imperfeito, o futuro do presente e o gerúndio;

b) do radical do pretérito perfeito derivam: os mais que perfeitos do indicativo e do subjuntivo;

c) do radical do supino derivam: todos os tempos compostos passivos.

d) O radical do infinitivo identifica a qual conjugação o verbo pertence.

 

Exemplos:

Tomemos o verbo ‘eligere’:

Presente do indicativo: eligo, eligis, eligit, eligimus, eligitis, eligunt;

derivações –

imperfeito indicativo (eligebam, eligebas, eligebat, eligebamus, eligebatis, eligebant);

imperfeito subjuntivo (eligam, eligas, eligat, eligamus, eligatis, eligant);

futuro do presente (eligam, eligas, eligat, eligamus, eligatis, eligant).

Pretérito perfeito indicativo: elegi, elegisti, elegit, elegimus, elegitis, elegerunt;

derivações –

mais que perfeito indicativo (elegeram, elegeras, elegerat, elegeramus, elegeratis, elegerant);

mais que perfeito subjuntivo (elegissem, elegisses, elegisset, elegissemus, elegissetis, elegissent).

 

Supino: electum;

derivações :

electus sum (eu fui eleito), electus eram (eu fora eleito); electus sim (eu tenha sido eleito).

OBS: Nos tempos compostos, conjuga-se com o auxílio do verbo ‘esse’ (ser).

Este paradigma é apenas para ilustrar o que disse acima. O desenvolvimento deste assunto passa a ser muito complexo para os limites a que nos propomos nestas simplificadas anotações. A sua visualização numa tabela é bem mais intuitiva.

 

 

O MODO SUBJUNTIVO DOS VERBOS

 

No modo indicativo, os verbos exprimem a ação ou o estado do sujeito de forma direta. No modo subjuntivo, os verbos designam esta ação ou estado de forma indireta. Dessarte, o presente do subjuntivo pode expressar um desejo ou exprimir uma exortação; o imperfeito do subjuntivo assinala uma condição.

O subjuntivo dos verbos, em português e em latim, é regido geralmente por uma preposição. Por exemplo: UT – que, para que, a fim de que; pode também vir acompanhado de uma interjeição, por exemplo, UTINAM – oxalá, quando se trata de expressões positivas. Usa-se NE (que não, para que não) quando se trata de uma expressão negativa.
 

  Observemos o exemplo do verbo ESSE (SER, ESTAR). No modo subjuntivo, temos:

 

                  PRESENTE

                      IMPERFEITO

Sim (seja)

Essem (estivesse)

Sis (sejas)

Esses (estivesses)

Sit (seja)

Esset (estivesse)

Simus (sejamos)

Essemus (estivessemos)

Sitis (sejais)

Essetis (estivésseis)

Sint (sejam)

Essent (estivessem)

 

a) O SUBJUNTIVO ENQUANTO DESEJO, OU SUBJUNTIVO OPTATIVO

Exemplos:

Ut felix sim. - Para que eu seja feliz.

Ut felices simus. - Para que sejamos felizes.

Utinam felix sis. - Oxalá, sejas feliz.

Ne ægrotus sim. - Que eu não fique doente.

Ignavi ne simus. - Para que não sejamos covardes.

 

b) O SUBJUNTIVO ENQUANTO EXORTAÇÃO

Exemplos:

Amici, læti simus. - Amigos, sejamos alegres.

Milites, ignavi ne sitis. - Soldados, não sejais covardes.

Discipuli, ne piger, sed seduli sitis. - Alunos, não sejais preguiçosos, mas diligentes.
 

c) O SUBJUNTIVO ENQUANTO CONDIÇÃO
 

OBS: No latim, o futuro condicional ou futuro do pretérito se confunde com o imperfeito do subjuntivo, portanto, 'essem' significa tanto 'eu estivesse' como 'eu estaria', 'eu fosse' ou 'eu seria'.
 

Exemplos:

Contentus essem si Maria sana esset. - Seria (ficaria) contente se Maria estivesse sã.

Magistri contenti essent se discipuli seduli essent. - Os mestres seriam (ficariam) felizes se os alunos fossem aplicados.

Si semper diligenti essetis, patres vestri læti essent. - Se vós sempre fosseis diligentes, vossos pais ficariam alegres.

Puer orat ut pater ejus mox sanus sit. - O menino ora para que o pai dele em breve esteja são.

 

d) O MODO SUBJUNTIVO NAS QUATRO CONJUGAÇÕES
 

1a. CONJUGAÇÃO - 'ARE'

 

                    PRESENTE

          IMPERFEITO / CONDICIONAL

Amem (eu ame)

Amarem (eu amasse ou amaria)

Ames (tu ames)

Amares (tu amasses ou amarias)

Amet (ele/ela ame)

Amaret (ele/ela amasse ou amaria)

Amemus (nós amemos)

Amaremus (nós amássemos ou amaríamos)

Ametis (vós ameis)

Amaretis (vós amásseis ou amaríeis)

Ament (eles/elas amem)

Amarent (eles/elas amassem ou amariam)


 

2a. CONJUGAÇÃO – 'ERE' (longo)

 

                      PRESENTE

          IMPERFEITO / CONDICIONAL

Moneam (eu avise)

Monerem (eu avisasse ou avisaria)

Moneas (tu avises)

Moneres (tu avisasses ou avisarias)

Moneat

Moneret

Moneamus

Moneremus

Moneatis

Moneretis

Moneant

Monerent


 

3a. CONJUGAÇÃO – 'ERE' (breve)

 

                        PRESENTE

          IMPERFEITO / CONDICIONAL

Legam (eu leia)

Legerem (eu lesse ou leria)

Legas (tu leias)

Legeres (tu lesses ou lerias)

Legat

Legeret

Legamus

Legeremus

Legatis

Legeretis

Legant

Legerent

 

4a. CONJUGAÇÃO - 'IRE'

 

                      PRESENTE

          IMPERFEITO / CONDICIONAL

Audiam (eu ouça)

Audirem (eu ouvisse ou ouviria)

Audias (tu ouças)

Audires (tu ouvisses ou ouvirias)

Audiat

Audiret

Audiamus

Audiremus

Audiatis

Audiretis

Audiant

Audirent


 

Alguns exemplos:

Patrem et matrem amemus. - Amemos pai e mãe.

Deus dixit ut amaremus patrem et matrem. - Deus disse que amássemos pai e mãe.

Puer secat alas avium ne volent. - O menino corta as asas das aves para que não voem.

Utinam hodie vocem ejus audiatis... - Oxalá, hoje ouçais a voz dele...

...Ut dirigat pedes nostros in viam pacis. - ... Para que dirija nossos pés no caminho da paz

 

 

 EXPLICAÇÕES GERAIS SOBRE OS ADJETIVOS NA LÍNGUA LATINA


ADJETIVOS DE PRIMEIRA CLASSE E DE SEGUNDA CLASSE

 

Os adjetivos em latim são divididos em duas classes, para fins de enquadramento nas declinações. Assim, os adjetivos que seguem as duas primeiras declinações, ou seja, a forma feminina segue a primeira declinação e as formas masculina e neutra seguem a segunda, são considerados adjetivos da primeira classe.

Exemplos de adjetivos da 1a. classe:

Bonus, bona, bonum – bom, boa; (bona segue a 1a. declinação; bonus e bonum seguem a 2a.)

Pulcher, pulchra, pulchrum – belo, bela;

Dignus, a, um – digno, digna;

Jucundus, a, um – alegre;

Liber, libera, liberum – livre;

Os adjetivos que seguem a terceira declinação em todas as suas formas são considerados de segunda classe. Estes adjetivos podem ser uniformes, biformes ou triformes, dependendo de terem uma única forma para todos os gêneros, ou de terem a mesma forma para o masculino e o feminino e uma outra forma para o neutro ou então terem uma forma para cada gênero.
 

Exemplos de adjetivos uniformes:

Sapiens, sapientis – sábio;

Velox, velocis – veloz – assumem a mesma forma no masculino, no feminino e no neutro;

Exemplos de adjetivos biformes:

Communis, commune – comum; (a primeira forma corresponde ao masculino e feminino; a outra é o neutro)

civilis, civile – civil;

Omnis, omne – todo, toda.

Exemplos de adjetivos triformes:

Celeber, celebris, celebre – célebre, famoso; (masculino, feminino e neutro)

Terrester, terrestris, terrestre – terrestre.
 

 

CASOS ESPECIAIS

 

1 - Os particípios presentes dos veerbos em latim terminam sempre em ‘ns’ e são conjugados como adjetivos de segunda classe, seguindo a terceira declinação.
 

Exemplos:

Docens, docentis – docente, aquele que ensina;

Discens, discentis – discente, aquele que aprende;

Laborans, laborantis – aquele que trabalha, o trabalhador;

Dicens, dicentis – dizente, aquele que diz;

Dormiens, dormientis – aquele que dorme.

2 – Quase sempre, os adjetivos desta classe são empregados também como substantivos.
 

3 – Ao adjetivo empregado na forma neutra plural, desacompanhado de substantivo, na tradução para o português, faz-se necessário acrescentar a palavra ‘coisa’, que em latim fica subentendida.

Exemplos:

Omnia viventia – todas (as coisas) vivas (seres vivos);

Bona iuvant. – (as coisas) boas agradam;

Mirabilia laudo semper. – Louvo sempre (as coisas) admiráveis.

 

 GRAUS DOS ADJETIVOS NA LÍNGUA LATINA

 

Os adjetivos em latim admitem três graus: o normal, o comparativo e o superlativo, da mesma forma como se usa na língua portuguesa. A diferença está no seguinte fato: em português, ao mudar de grau, o adjetivo em geral não muda de forma, recebendo apenas algumas palavras complementares.

 

Exemplos dos graus dos adjetivos:

Grau normal: O filósofo é sábio.

Grau comparativo: O filósofo é mais sábio do que o agricultor.

Grau superlativo: O filósofo é o mais sábio de todos os homens.

Conforme se observa, o adjetivo ‘sábio’ não sofreu nenhuma alteração mórfica, recebendo o acréscimo do advérbio ‘mais’ para indicar a mudança de grau. Em latim, porém, o próprio adjetivo sofrerá modificações.

 

 

FORMAÇÃO DO GRAU COMPARATIVO EM LATIM

 

A passagem dos adjetivos para o grau comparativo em latim se faz com o acréscimo do sufixo ‘IOR’ para o marculino e feminino, e ‘IUS” para o neutro. O procedimento para adicionar este sufixo é o mesmo adotado para mudança das desinências nas declinações dos diversos casos, conforme já foi explicado anteriormente, ou seja, encontra-se o radical da palavra no genitivo singular e acrescenta-se a terminação ‘ior’ ou ‘ius’, de acordo com o caso.

Exemplos:

O adjetivo ‘pulcher, pulchra, pulchrum’ (belo, bela) segue a segunda declinação (pulcher, pulchri).

No caso do grau comparativo (mais belo, mais bela), torna-se ‘pulchrior’ (masculino e feminino) e ‘pulchrius’ (neutro).
 

O adjetivo ‘jucundus, a, um’ (alegre) segue a segunda declinação (jucundus, jucundi).

Para formar o grau comparativo (mais alegre) transforma-se em ‘jucundior’.

O adjetivo ‘sapiens’ (sábio, sábia) segue a terceira declinação (sapiens, sapientis).

Na formação do grau comparativo fica ‘sapientior’ (mais sábio).


 

FORMAÇÃO DO GRAU SUPERLATIVO EM LATIM
 

Os adjetivos são lançados no grau superlativo com o acréscimo da terminação ‘issimus, issima, issimum’, para o masculino, feminino e neutro, respectivamente. Em português, admitem-se duas modalidades do grau superlativo: o sintético (felicíssimo) e analítico (o mais feliz); porém, em latim, os adjetivos no grau superlativo têm sempre a forma sintética.

Exemplos:

Gravis – gravissimus, gravissima, gravissimum (masculino, feminino e neutro).

Jucundus – jucundissimus, jucundissima, jucundissimum.

Sapiens – sapientissimus, sapientissima, sapientissimum.

 

Outros exemplos de graus comparativo e superlativo:

Velox, velocis (veloz) – velocior (comparativo) – velocissimus (superlativo).

Celeber, celebris (célebre, famoso) – celebrior (comparativo) – celebrissimus (superlativo).

Nobilis, nobilis (nobre) – nobilior (comparativo) – nobilissimus (superlativo).

Felix, felicis (feliz) – felicior (comparativo) – felicissimus (superlativo)

Sanctus, sancti (santo) – sanctior (comparativo) – sanctissimus (superlativo).

 

 


CASOS ESPECIAIS

 

1 - Os adjetivos terminados em ‘erѺ no masculino, adotam a terminação ‘errimus’ em vez de ‘issimus’ no superlativo.

Exemplos:

Pulcher – pulchrior (comparativo) – pulcherrimus (superlativo).

Niger – nigrior (comparativo) – nigerrimus (superlativo).

2. Alguns adjetivos terminados em ‘ilis’ fazem o superlativo com ‘limus’.

Exemplos:

Facilis, facilis (fácil) – facilior (comparativo) – facillimus (superlativo). OBS: dobra a letra ‘L’.

Humilis, humilis (humilde) – humilior (comparativo) – humillimus (superlativo).

3. Alguns adjetivos têm formação irregular dos graus comparativo e superlativo, tal qual em português.

Exemplos:

Bonus (bom) – melior (melhor) – optimus (ótimo).

Malus (mau) – pejor (pior) – pessimus (péssimo).

Magnus (grande) – major (maior) – maximus (máximo).

Parvus (pequeno) – minor (menor) – minimus (mínimo).
 

4. O latim é um idioma pródigo em exceções, isto ocorre também na formação dos graus dos adjetivos. Portanto, além dos casos especiais citados, há ainda diversos outros que podem ser encontrados nas boas gramáticas e que deixam de ser mencionados aqui em virtude da própria natureza elementar destes apontamentos.

 

 

APLICAÇÃO PRÁTICA DOS GRAUS DOS ADJETIVOS NA CONSTRUÇÃO DE FRASES

 

1a. situação: comparação entre duas pessoas. Neste caso, usa-se a conjunção comparativa ‘quam’, colocando-se a segunda palavra no mesmo caso da primeira.

Exemplos:

Pedro é mais sábio do que o irmão. – Petrus est sapientior quam frater.

O filho é mais rico do que o pai. – Filius est divitior quam pater.

2a. situação: comparação entre duas qualidades. Neste caso, usa também a conjunção ‘quam’ e a segunda qualidade também fica no comparativo.

Exemplo:

Pedro é mais sábio do que rico. – Petrus est sapientior quam divitior.

3a. situação: superlativo relativo. Quando o superlativo também se refere a outras pessoas ou qualidades, o segundo termo pode ir para o genitivo ou para o ablativo com ‘ex’ ou para o acusativo com ‘inter’.

Exemplo:

Francisco é o mais humilde dos homens. A tradução pode ser:

Franciscus est humillimus hominum. (hominum – genitivo plural de homo, hominis).

Franciscus est humillimus ex hominibus. (hominibus – ablativo plural de homo, hominis).

Franciscus est humillimus inter homines. (homines – acusativo plural de homo, hominis).

 


EXEMPLOS E EXERCÍCIOS

 

Do que já apresentamos até aqui, conclui-se que o “caso” indica a função sintática da palavra na frase. Vejamos alguns exemplos. Analisemos a frase seguinte:

AQUILA VOLAT. (pronúncia: áquila vólat), Teremos:

aquila, ae – substantivo da 1a. Declinação (águia)

volat – 3a pessoa singular do verbo “volare” (voar). Tradução:

A ÁGUIA VOA. Note que, em latim, não há artigos, mas na tradução deve-se colocar. No caso, poderia ser também UMA ÁGUIA VOA, mas em algumas situações não se pode trocar o artigo sem causar algum conflito.

Agora, uma pergunta clássica: quem voa? Resposta: a águia, portanto, águia é sujeito e sendo sujeito, fica no caso nominativo.

 

Outro exemplo: AQUILAM HABEO. (pronúncia: áquilam hábeo), Teremos:

aquila, ae – substantivo da 1a. Declinação (águia)

habeo – 1a pessoa singular do verbo “habere” (ter). Tradução:

Eu tenho a águia (ou uma águia).

Agora, vamos às perguntas: 1 quem tem a águia? Resposta: eu (sujeito oculto); 2. o que eu tenho? Resposta: a águia (uma águia) (objeto direto do verbo ter). Portanto, sendo águia objeto direto, vai para o caso acusativo, mudando sua desinência ou terminação para “aquilam”.
 

Mais um exemplo: ALA AQUILÆ (=ALA AQUILAE) (pronúncia: ála áquileh). Coloquei este 'h' no final para lembrar que o 'e' não deve ser pronunciado como 'i'. Teremos:

aquila, ae (explicado acima)

ala, ae – substantivo da 1a. Declinação (asa). Tradução:

A ASA DA ÁGUIA. A expressão “da águia” é um complemento restritivo de “asa”, regido pela preposição “de”. Por isso, fica no caso genitivo (aquilae), enquanto “ala” permanece no caso nominativo (forma original).

Examine agora a seguinte frase:

ALAM AQUILAE VIDEO. (pronúncia: álam áquileh vídeo).

Sendo “video” a 1a pessoa singular do verbo “videre” (ver), diremos que a tradução será:

EU VEJO A ASA DA ÁGUIA. Por que? Vamos às perguntas clássicas:

pergunta 1 – quem vê? Resposta: eu (sujeito oculto);

pergunta 2 – o que eu vejo? Resposta: a asa (objeto direto);

pergunta 3 – asa de quem? Resposta: da águia (complemento restritivo);

Portanto:

eu – sujeito oculto, pode até ser omitido na tradução;

asa – objeto direto, vai para o caso acusativo (alam);

da águia – complemento restritivo, vai para o caso genitivo (aquilae)

A título de fixação, proponho os seguintes exercícios inspirados nos exemplos acima:

Faça a tradução e a análise sintática das frases seguintes:

  1. Habeo mensam et cathedram.

  2. Rosa pulchra est.

  3. Puella habet rosam pulchram.

  4. Video puellam et rosam.

  5. Avia puellae cantat.

  6. Puella dat rosam aviae.

  7. Historia magistra vitæ est.

  8.  

Glossário auxiliar:

Substantivos – mensa (mesa), cathedra (cadeira), pulchra (bela), puella (garota), avia (avó), magistra (mestra);

Verbos – est (é), habet (tem), cantat (canta), dat (dá).

 


 

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