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Língua
Japonesa
A Escrita
Não existe vestígio de nenhum tipo de
escrita no Japão anterior à introdução da escrita chinesa. A língua japonesa
originou-se da linguagem Uralo-Altaica (linguagem pertencente ou relativa aos
Montes Urais – Rússia e aos Montes Altai – Ásia Central) e não tem relação com o
chinês, apesar de utilizar sua escrita e muitas de suas palavras.
O Kanji foi introduzido no Japão a
partir do século III com a cultura chinesa. Os japoneses adotaram os ideogramas
chineses utilizando o mesmo caracter para representar um objeto ou uma
determinada idéia, mas conservando a pronúncia japonesa. Posteriormente, foram
incorporados símbolos com a pronúncia original chinesa, em especial para formar
novas palavras compostas. Em outros casos utilizaram somente a fonética do
caracter para representar determinadas sílabas japonesas. A escrita desses
caracteres do tipo fonético foi sendo simplificado dando origem aos Kanas
(alfabeto silabário exclusivamente japonês). O japonês moderno utiliza duas
formas de escrita: os kanji (ideogramas chineses) e os kanas (hiragana e
katakana).
Kanji
Os Kanji são usados para escrever a
raiz de palavras, as palavras compostas e os nomes próprios. Até pouco depois da
Segunda Guerra Mundial se empregou uns 7.000 Kanji diferentes. Em 1946 o governo
japonês publicou uma lista chamada "Tôyô Kanji" para simplificar a escrita.
Nesta lista constava 1850 caracteres autorizados a aparecerem em livros e
jornais e que seriam ensinados nas escolas. Para elaboração desta lista foi
feito um estudo minucioso de periódicos e jornais, selecionando os caracteres
que mais se repetiam. Em 1981 foi publicada uma nova lista chamada "Jôyô Kanji"
constando 2.111 caracteres (1.945 caracteres mais usados e 166 caracteres que
fazem parte de nomes próprios e sobrenomes mais comuns).
Um dos motivos para que se conserve
este tipo de escrita é por ser o japonês um idioma rico em vocábulos, mas pobre
foneticamente. Possui palavras simples para expressar conceitos que em português
são necessárias duas ou mais palavras. Por exemplo, irmão mais velho = "ANI";
arroz cozido = "GOHAN", etc. Por outro lado, um fonema como "KOO" pode chegar a
ter 60 significados completamente diferentes, mas que são distinguidos na
escrita por diferentes caracteres. A palavra "KAERU", por exemplo, pode
significar: sapo/ voltar, regressar/ mudar, transformar/ trocar. Por isso o uso
de um outro alfabeto dificultaria enormemente a compreensão da língua japonesa
escrita.
No Japão, os primeiros nove anos de
escolaridade são gratuitos e obrigatórios, tendo as crianças que freqüentar seis
anos de ensino elementar, seguidos de três anos de ensino médio inferior. As
crianças começam aprendendo Hiragana e Katakana e pouco a pouco os caracteres
chineses. Durante os seis anos de ensino elementar são ensinados 996 Kanji. Ao
final do ensino secundário inferior as crianças já têm conhecimento de todos os
caracteres que fazem parte do "Jôyô Kanji". Noventa por cento dos estudantes que
completam os nove anos de escolaridade obrigatória, prosseguem os seus estudos
no ensino secundário superior durante três anos, onde aprendem mais Kanji.
Aqueles que vão para as universidades têm oportunidade de conhecer Kanji que
aparecem quase que somente na literatura técnica.
Os estudiosos japoneses têm
classificado os Kanji em seis grupos:
1 - Shokei: Kanji que se originaram de
figuras ou desenhos.
Exemplo:
2 - Shiji: Tipo de indicação, sinal.
Exemplo:
3 - Kaii: União de dois ou mais Kanji
formando uma nova palavra.
Exemplo:
4 - Keisei: União de um Kanji que dá o
significado com outro que dá o som.
Exemplo: "Hi" =
.
A parte de cima dá o som, e a de baixo indica que tem relação com o coração.
5 - Tenchu: A sua origem não está
clara, mas tendo como base um determinado Kanji, modificando algumas partes ou
associando com uma outra letra, forma-se um novo Kanji com significado
semelhante àquele que deu origem.
6 - Kashaku: O significado não tem
relação com o Kanji original, apenas utiliza-se o som.
Kanas
Os japonese utilizaram alguns
caracteres chineses e aproveitando sua fonética, criaram um alfabeto silabário:
os Kanas. Parece que foi utilizado pela primeira vez no século VIII, época de
florescimento da literatura japonesa, quando se destacaram várias mulheres no
campo da poesia. Existe uma versão de que foram as mulheres que simplificaram a
escrita, tendendo a um tipo de escrita mais cursiva e eliminando certos traços.
Por sua forma simples e plana se chamou Hiragana. Paralelo a este silabário se
desenvolveu o Katakana, mais retilíneo e anguloso. O Hiragana se formou por
evolução, o Katakana por abreviação.
Atualmente o Hiragana é usado para
escrever partículas, sufixos e prefixos necessários para a declinação e
conjugação de palavras. O Katakana, em telegramas. Nos jornais e livros é
empregado para transcrever nomes ocidentais, palavras de origem estrangeira,
onomatopéia, etc.
Existem ainda sons derivados como o são
os das colunas "K", "S", "T" e "H", quando seguidos de "tenten" (um ´´ depois do
caracter), transformando-se em "G", "Z", "D" e "B" respectivamente, ou seguido
de um "maru" (um º depois do caracter) no caso da coluna "H", que se transforma
em "P"; e também os sons conjugados que são a transcrição de um caracter da
linha "I" com outro em tamanho reduzido para indicar conjugação, pertencente à
coluna "Y": por exemplo, para transcrever o som "RYU" colocamos o Hiragana "RI"
seguido de um pequeno Hiragana "YU".
Romaji
Sistemas criados
para transcrever os sons da língua japonesa em caracteres romanos. São usados
para escrever nomes de produtos comerciais na divulgação dos mesmos, para
estudos lingüísticos por ocidentais, para ordenar dicionários ocidentais, etc.
Particularidades
da Gramática
Os substantivos não variam quanto ao
número, grau e gênero. O plural de certas palavras se forma acrescentando-lhe um
sufixo.
O verbo vem geralmente no final da
sentença.
Não ocorre flexão verbal da pessoa.
Existem somente dois tempos verbais:
presente e passado. O verbo no presente pode se referir a uma ação habitual ou
ao futuro. O passado equivale ao nosso pretérito perfeito. Os outros tempos
verbais são indicados no contexto.
Os adjetivos flexionam para indicar
presente e passado, afirmativo e negativo.
A função gramatical das palavras é
indicada por partículas que aparecem sempre depois delas.
A Escrita Original
Japonesa
Os estudantes japoneses aprendem, desde
pequenos, que o "alfabeto" do seu país se desenvolveu a partir do chinês. Essa é
a tese corrente que prevalece durante muito séculos no Japão. Ela só não vale
para um grupo de pesquisadores: os que querem provar a existência de uma escrita
japonesa original, muito anterior ao kanji chinês, que teria desaparecido com o
tempo. Essa teoria, nunca aceita oficialmente, é uma das razões que movimentam a
vida do japonês Hiroshi Tominaga. Ele vem estudando o que considera ser a
"verdadeira escrita japonesa" desde a adolescência. "Recebemos muitas
críticas de pessoas que não reconhecem a veracidade das provas históricas",
diz Tominaga.
Chamada de kamiyo moji, palavras
que tanto significam "escrita da era dos deuses", como "tempos remotos", seus
ideogramas são completamente diferentes dos utilizados até então. No lugar das
linhas retilíneas do kanji, entram figuras arrendondadas e outras que lembram
levemente o coreano. "O kamiyo moji desapareceu em decorrência da invasão da
cultura chinesa no país. O que era autenticamente japonês, como a escrita, foi
deixado em segundo plano", explica o pesquisador. Os documentos relatando o
que seria a escrita japonesa verdadeira só puderam ser conservados por decisão
do senhor feudal Yoshiano, que preocupado com a supervalorização de tudo que era
chinês, reuniu e arquivou vários registros históricos recolhidos por todo o
arquipélago japonês e guardados até hoje.
Mas não é preciso ir muito longe para
ver de perto escritos em kamiyo moji. No templo xintoísta Moiwa, na província de
Ibaraki, pequenas placas de madeira com a escrita kamiyo são distribuídas ao
visitantes. Um dado curioso é que até as placas serem descobertas por Tominaga,
o sacerdote responsável pelo local desconhecia que aquela poderia ser a escrita
japonesa original que, segundo o estudioso, ainda pode revelar muito da história
do Japão.
OS IDIOMAS MAIS
FALADOS NO MUNDO
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Os idiomas mais falados do mundo, segundo o "Ethnologue", 13ª edição (1996 - 1999).
| Posição |
Idioma |
Família |
População |
Área |
| 1 |
Chinês Mandarin |
Sino-Tibetano |
885.000.000 |
China |
| 2 |
Espanhol |
Indo-Europeu |
332.000.000 |
América Latina, Espanha |
| 3 |
Inglês |
Anglo-Saxão |
322.000.000 |
América do Norte, Reino
Unido, Austrália, Nova Zelândia |
| 4 |
Bengali |
Indo-Europeu |
189.000.000 |
Bangladesh, India |
| 5 |
Hindi |
Indo-Europeu |
182.000.000 |
India |
| 6 |
Português |
Indo-Europeu |
180.750.000 |
Portugal, Brasil,
Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Goa
(cidade da Índia), Timor Leste |
| 7 |
Russo |
Indo-Europeu |
170.000.000 |
Russia |
| 8 |
Japonês |
Japonês |
125.000.000 |
Japão |
| 9 |
Alemão |
Anglo-Saxão |
98.000.000 |
Alemanha, Áustria |
| 10 |
Chinês Wu |
Sino-Tibetano |
77.175.000 |
China |
| 11 |
Javanês |
Austronésio |
75.500.800 |
Indonésia |
| 12 |
Coreano |
Coreano |
75.000.000 |
Coréia |
| 13 |
Francês |
Indo-Europeu |
72.000.000 |
França |
| 14 |
Vietnamês |
Austro-Asiático |
67.662.000 |
Vietnam |
| 15 |
Telugu |
Dravidiano |
66.350.000 |
India |
| 16 |
Chinês Yue |
Sino-Tibetano |
66.000.000 |
China |
| 17 |
Marathi |
Indo-Europeu |
64.783.000 |
India |
| 18 |
Tamil |
Dravidiano |
63.075.000 |
India |
| 19 |
Turco |
Altaico |
59.000.000 |
Turquia |
| 20 |
Urdu |
Indo-Europeu |
58.000.000 |
Paquistão |
|
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Fonte:
Instituto Cultural Brasil-Japão e Revista Made in Japan |
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By Nadia Maria
Meirelles
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